Ação mira rede de anabolizantes falsificados e manda prender 43 no Brasil e no Paraguai – Noticias R7
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A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou nesta quarta-feira (12) a Operação Narciso, fruto de uma investigação sobre uma rede com atuação interestadual e transnacional envolvida na fabricação clandestina, falsificação, adulteração e venda de anabolizantes, substâncias controladas e termogênicos.
Segundo a corporação, foram expedidos 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 32 milhões, o sequestro de veículos de luxo, o fechamento de 13 estabelecimentos e laboratórios e a retirada de 22 perfis usados nas redes sociais para divulgar os produtos e atrair clientes.
Segundo a polícia, os envolvidos no esquema podem responder por crimes como tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsificação, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais. A pena pode variar entre 40 e 50 anos de prisão.
As ações ocorreram em diferentes pontos do país. Segundo a PCDF, o Distrito Federal concentrava parte das estruturas de fabricação e armazenamento, além de academias ligadas à divulgação dos produtos e de uma gráfica utilizada para produzir as embalagens falsas. Também foram identificados pontos de apoio em Goiás, Paraíba, Paraná, Acre e Minas Gerais.
A corporação também informou que três dos principais líderes do esquema foram presos em Ciudad del Este, no Paraguai. Os três são brasileiros e estavam foragidos. Segundo a PCDF, a ação foi resultado de uma força-tarefa que reuniu a Polícia Civil do Distrito Federal, a Polícia Federal em Foz do Iguaçu e a Polícia Nacional do Paraguai.
Carro de luxo apreendido pela polícia durante a operação
Carro de luxo apreendido pela polícia durante a operação
Divulgação/PCDF
Quatro grupos compartilhavam estrutura
A investigação começou a avançar depois que a polícia apreendeu o celular de um dos investigados durante uma operação de busca. No aparelho, havia um histórico de mensagens que, segundo os investigadores, ajudou a revelar como funcionava a organização e a identificar diferentes núcleos envolvidos no esquema.
“Essa investigação busca identificar os integrantes de quatro núcleos de grandes organizações criminosas especializadas em laboratórios clandestinos de medicação e anabolizantes. Esses laboratórios são piratas. Eles adulteram essas mercadorias, importam esses produtos do Paraguai de forma clandestina — os insumos para essa produção — e, a partir daí, fabricam em fundo de quintal”, detalhou o delegado da Divisão de Defesa do Consumidor, Rodrigo Carbone.
A corporação informou que a aparência dos medicamentos também fazia parte da estratégia para convencer os consumidores. As embalagens recebiam nomes em línguas estrangeiras, bandeiras de outros países e identidades visuais que simulavam produtos importados ou de laboratórios conhecidos.
A rede também contava, segundo a investigação, com profissionais de diferentes áreas. Nutricionistas, treinadores, designers, veterinários e outros profissionais teriam participado de diferentes etapas do esquema, seja na divulgação e recomendação dos produtos, seja na produção de materiais ou na obtenção de receitas.
Dinheiro passava por contas de terceiros e plataformas de apostas
Para movimentar os recursos obtidos com as vendas e dificultar o rastreamento do dinheiro, a organização teria criado uma estrutura financeira com diferentes camadas.
Segundo a PCDF, doleiros faziam transferências entre integrantes do grupo e a principal fornecedora, localizada na região de Foz do Iguaçu (PR), utilizando contas de terceiros e empresas de fachada.
“A gente tem um número grande de doleiros que atuam lá e no Paraguai e, muitas vezes, ajudam na transferência desses valores para o Paraguai por intermédio da modalidade conhecida como ‘dólar-cabo’, ou o que eles chamam de dinheiro voador. Eles fazem uma transação para um laranja no Brasil e entram em contato com outro doleiro lá para que ele compense o destinatário lá. E aí esses doleiros depois se pagam”, explicou Carbone.
Os pagamentos dos consumidores também eram direcionados para contas de parentes dos investigados e para diferentes chaves Pix, segundo a polícia.
A investigação identificou ainda o uso de contas em casas de apostas virtuais e plataformas de jogos de quota fixa para movimentar e converter os valores.
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