Enquanto caminha todos os dias, Leila Aparecida dos Santos acredita que está investindo no futuro. Aos 70 anos, ela mantém uma alimentação equilibrada e pratica atividade física desde os 30. O objetivo nunca foi apenas chegar à velhice, mas continuar vivendo com autonomia.
Aos 70 anos, Leila Aparecida dos Santos mantém uma alimentação equilibrada e pratica atividade física desde os 30Foto: Reprodução/ND Mais“Eu sei que é duro uma pessoa idosa não ter mobilidade. Já presenciei isso com parentes, mãe, sogra, e vejo a dificuldade que é. Se Deus permitir, quero continuar com essas atividades até a hora que Ele quiser me levar assim, vivendo bem. Eu prefiro isso do que ter dependência no futuro”, afirma.
Aos 47 anos, Nadine Figueiredo também encara a saúde como um investimento na autonomia. “Isso também me traz uma tranquilidade, saber que eu vou envelhecer e, de repente, não vou depender tanto de alguém para cuidar de mim, não ficar com tantas limitações na velhice”, diz.
Nadine Figueiredo, aos 47 anos, também encara a saúde como um investimento na autonomiaFoto: Reprodução/ND MaisAs histórias das duas ajudam a ilustrar um desafio que acompanha o aumento da expectativa de vida. Nunca se viveu tanto. Ao mesmo tempo, cresce o número de pessoas que chegam às décadas mais avançadas convivendo com doenças crônicas que comprometem a qualidade de vida e a independência.
Esse é o tema do segundo episódio da série especial “Viver Mais, Viver Bem“, que a NDTV Record exibe às quartas-feiras, apresentada pela jornalista Cibelly Favero. Ao longo de 16 episódios, o projeto aborda diferentes aspectos da longevidade, reunindo histórias inspiradoras, especialistas e informações sobre saúde, bem-estar, planejamento e qualidade de vida.
Avanços aumentaram expectativa de vida, mas também trouxeram desafios
Um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) mostra que a prevalência de diabetes aumentou 36%, enquanto as doenças cardiovasculares já atingem um em cada oito adultos. Os avanços da medicina permitiram que a população vivesse mais, mas também trouxeram um novo desafio: garantir que esses anos sejam vividos com saúde e autonomia, longe da dependência de medicamentos, internações e limitações que muitas vezes podem ser prevenidas.
A psicóloga certificada em Medicina do Estilo de Vida Fernanda Bornhausen diz que o primeiro passo é deixar de normalizar doenças crônicasFoto: Reprodução/ND MaisPara a psicóloga certificada em Medicina do Estilo de Vida Fernanda Bornhausen, o primeiro passo é deixar de normalizar doenças crônicas. Hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares não devem ser encaradas como consequências inevitáveis da idade ou da genética.
“O objetivo é justamente não deixar que essas doenças se instalem. O estilo de vida precisa caminhar junto com o acompanhamento clínico e os exames periódicos para preservar a saúde”, explica.
Diagnosticada com lipedema, a nutricionista Daniela Dal Pozzo conhece esse desafio na práticaFoto: Daniela Dal PozoA nutricionista Daniela Dal Pozzo conhece esse desafio na prática. Diagnosticada com lipedema, condição crônica e progressiva que provoca acúmulo desproporcional de gordura e dor, ela encontrou nos hábitos de vida uma forma de minimizar os impactos da condição na própria vida.
“Quando entendi a importância da alimentação, da atividade física, do descanso, da hidratação e de desinflamar o corpo, minha qualidade de vida melhorou muito”, relata.
Segundo a endocrinologista Eunice Rizzano, quando hábitos inadequados se prolongam, aumentam os processos inflamatórios, favorecem alterações na glicemia, elevam o colesterol e ampliam o risco de doenças cardiovascularesFoto: Reprodução/ND MaisSegundo a endocrinologista Eunice Rizzano, quando hábitos inadequados se prolongam ao longo dos anos, aumentam os processos inflamatórios, favorecem alterações na glicemia, elevam o colesterol e ampliam o risco de doenças cardiovasculares. Em contrapartida, hábitos saudáveis ajudam o organismo a funcionar melhor e reduzem a probabilidade de desenvolver doenças crônicas.
O relatório da OCDE projeta que, até 2050, os casos de doenças crônicas devem crescer mais de 31% em razão do envelhecimento populacional. Diante desse cenário, especialistas defendem que o médico seja um parceiro na manutenção da saúde e não apenas no tratamento das doenças.
Investimento a longo prazo
No fim das contas, a saúde funciona como uma conta de longo prazo. Cada refeição equilibrada, cada caminhada, cada noite bem dormida e cada consulta preventiva representam um investimento que poderá fazer diferença nas próximas décadas.
O tempo vai passar para todos. A diferença está na forma como cada pessoa chegará às próximas décadas. A autonomia, a disposição e a qualidade de vida do futuro começam a ser construídas muito antes da velhice, nas escolhas feitas todos os dias.
Não normalizar doenças também faz parte da prevenção
Muitas pessoas ainda acreditam que desenvolver hipertensão, diabetes ou doenças cardiovasculares faz parte do processo natural de envelhecer. Para especialistas em Medicina do Estilo de Vida, esse é um dos principais obstáculos para a prevenção.
Segundo a psicóloga Fernanda Bornhausen, alterações na pressão arterial, na glicemia ou no colesterol não devem ser consideradas inevitáveis apenas porque existem casos semelhantes na família. A combinação entre hábitos saudáveis, acompanhamento clínico e exames periódicos permite agir antes que essas doenças se instalem.
A endocrinologista Eunice Rizzano reforça que o acompanhamento médico precisa começar quando a pessoa ainda está saudável. Dessa forma, é possível utilizar mais recursos para preservar a saúde do que quando o organismo já apresenta limitações causadas por doenças crônicas.
Ambas reforçam que envelhecer não significa apenas aumentar a expectativa de vida. O objetivo é garantir mais autonomia, disposição e qualidade de vida ao longo do envelhecimento.
Especialistas alertam que alterações na pressão arterial, na glicemia ou no colesterol não devem ser consideradas inevitáveis apenas porque existem casos semelhantes na famíliaFoto: Freepik/Divulgação/NDOs hábitos de hoje ajudam a definir a saúde do futuro
A construção de uma vida longa e saudável não depende de uma única decisão, mas da repetição de hábitos que fortalecem o organismo ao longo dos anos.
Para a nutricionista Daniela Dal Pozzo, que convive com lipedema, a mudança de rotina fez diferença no controle da condição. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, hidratação, descanso e uma rotina voltada à redução dos processos inflamatórios passaram a fazer parte do dia a dia.
Segundo a endocrinologista Eunice Rizzano, escolhas saudáveis ajudam a reduzir processos inflamatórios, favorecem o equilíbrio da glicemia, do colesterol e da absorção de nutrientes, diminuindo fatores de risco relacionados às doenças cardiovasculares.
Muito além do que mudanças radicais, especialistas defendem que pequenas atitudes, repetidas diariamente, produzem resultados duradouros. Afinal, as escolhas feitas hoje são determinantes para a autonomia e a qualidade de vida nas próximas décadas.
Viver Mais, Viver Bem é uma realização do Grupo ND, com patrocínio da Unimed Grande Florianópolis, Ábaco Urbanizadora e SESI Santa Catarina.
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