Gorro que lê pensamentos pode chegar ainda este ano

A Sabi quer lançar um wearable que converte fala interna em texto e aproxima as interfaces cérebro-computador do mercado de consumo.

Escrever no computador sem tocar no teclado pode soar a ficção científica, mas há uma startup que quer transformar essa ideia em produto real. A norte-americana Sabi apresentou um wearable em forma de gorro capaz de interpretar a fala interna e convertê-la em texto no ecrã.

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A promessa é simples de explicar e difícil de concretizar: pensar palavras e vê-las aparecer no computador. Se resultar como anunciado, esta poderá ser uma das propostas mais ousadas no cruzamento entre inteligência artificial, interfaces cérebro-computador e tecnologia de consumo.

Gorro que lê pensamentos pode chegar ainda este ano

Um gorro com sensores para transformar pensamento em texto

A Sabi está a desenvolver uma interface cérebro-computador não invasiva, ou BCI, concorrente da Neuralink, pensada para uso quotidiano. Em vez de recorrer a implantes cirúrgicos, como acontece nalguns projectos mais conhecidos, a empresa aposta num dispositivo vestível que se usa como um gorro — e no futuro também como boné.

O objectivo é descodificar a chamada fala interna, ou seja, as palavras que formulamos mentalmente sem as pronunciar. Essas intenções seriam depois convertidas em texto num computador, criando uma nova forma de escrita sem mãos e sem voz.

Como funciona esta interface cérebro-computador

A base tecnológica é a electroencefalografia, conhecida pela sigla EEG. O sistema usa sensores colocados no interior do gorro para captar a actividade eléctrica do cérebro através do couro cabeludo.

Este método não exige cirurgia, mas enfrenta uma limitação óbvia: os sinais chegam mais fracos do que nos dispositivos implantados. Para compensar essa perda, a Sabi diz que quer apostar numa densidade de sensores muito superior à habitual.

Muito mais sensores do que num EEG tradicional

Enquanto muitos equipamentos EEG trabalham com algumas dezenas ou centenas de sensores, a empresa afirma que o seu wearable poderá integrar entre 70 mil e 100 mil sensores miniaturizados.

A ideia é simples: quanto maior a resolução na leitura dos sinais cerebrais, maior a probabilidade de detectar padrões úteis para identificar o que a pessoa está a tentar “dizer” mentalmente.

O papel da inteligência artificial

Ler actividade cerebral não chega. É aqui que entra a inteligência artificial, responsável por converter esses sinais em palavras utilizáveis em tempo real.

Segundo a Sabi, a empresa está a treinar um modelo de IA com grandes volumes de dados neurais recolhidos de vários voluntários. Em vez de ajustar o sistema apenas a uma pessoa, a ambição é criar uma base suficientemente ampla para que o produto funcione com muitos utilizadores diferentes.

Isso é especialmente importante num dispositivo de consumo. Os padrões cerebrais variam de pessoa para pessoa e até de dia para dia, dependendo de factores como cansaço, atenção ou stress.

Velocidade inicial ainda longe de um teclado normal

A empresa aponta para uma velocidade inicial de cerca de 30 palavras por minuto. Não é impressionante quando comparado com a escrita tradicional num teclado ou até com a ditado por voz, mas já seria um passo importante para uma tecnologia deste tipo.

A expectativa é que o desempenho melhore com uso continuado, à medida que o sistema aprende melhor os padrões do utilizador. Ainda assim, este será um dos pontos decisivos para perceber se o produto tem verdadeiro potencial no mercado.

Porque é que isto importa para os utilizadores

Se a tecnologia amadurecer, as aplicações podem ir muito além da curiosidade. Desde logo, poderá abrir novas possibilidades de acessibilidade para pessoas com limitações motoras.

Mas a aposta da Sabi não fica por aí. A empresa acredita que uma interface cérebro-computador vestível pode também chegar ao público em geral, como uma nova forma de interagir com computadores, escrever mensagens, tomar notas ou controlar software sem recorrer às mãos.

  • Escrita silenciosa em ambientes públicos
  • Maior acessibilidade digital
  • Nova forma de interagir com IA e computadores
  • Possível integração futura com wearables mais discretos

O grande desafio: usar sem complicações

Para um produto destes vingar fora do laboratório, não basta funcionar. Tem de ser simples, rápido e confortável.

Um dos maiores obstáculos das interfaces cérebro-computador é a necessidade frequente de calibração. Muitos sistemas precisam de ajustes antes de cada utilização, porque os sinais cerebrais mudam com facilidade. Num produto de consumo, isso seria um travão imediato.

Por isso, a facilidade de utilização será tão importante como a precisão. O cenário ideal é tirar o gorro, colocá-lo e começar a usar sem configurações complexas.

Privacidade neural: a questão mais sensível

Há outro tema impossível de ignorar: a privacidade. Um dispositivo capaz de recolher sinais cerebrais levanta preocupações muito superiores às de um smartwatch ou de um telemóvel.

A Sabi diz que os dados enviados para a cloud são protegidos com encriptação ponta a ponta e que os seus sistemas de IA conseguem treinar com esses dados sem expor a informação neural em bruto. A empresa refere ainda que está a trabalhar com especialistas em neurosegurança para avaliar toda a arquitectura tecnológica.

Mesmo assim, a discussão está longe de fechada. Quando o tema é dados cerebrais, a confiança do público poderá ser tão importante como a inovação técnica.

Um passo real para a computação do futuro?

O anúncio da Sabi mostra que a corrida às interfaces cérebro-computador já não está limitada a implantes e laboratórios. O foco começa a deslocar-se para formatos mais discretos, mais fáceis de usar e, em teoria, mais adequados ao mercado de massas.

Resta saber se este gorro que lê pensamentos conseguirá passar da promessa à prática. Mas uma coisa é certa: a ideia de escrever apenas com o pensamento já saiu do campo da ficção e entrou directamente na conversa sobre o futuro da tecnologia pessoal.

Fonte: Wred


Crédito: Link de origem

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