As trocas comerciais angolanas com o continente africano cresceram no ano passado 9% face a 2024, ao passar de 2.562 milhões USD para 2.787 milhões USD, tratando-se do valor mais alto do período pós-Covid-19. Desta forma, as importações e exportações de Angola com o continente passam a valer 6% das nossas trocas comerciais, e apesar de ser um peso pouco expressivo é já o maior dos últimos sete anos.
Igual, só em 2018, quando os 3,4 mil milhões USD de trocas comerciais valiam 6% do comércio externo angola no. Peso do comércio angolano com África está abaixo dos 15% de média do continente. De acordo com cálculos do Ex pansão com base na compilação dos Relatórios Trimestrais do Comércio Externo do Instituto Nacional de Estatística (INE), no ano passado, Angola exportou mercadorias no valor de 30.212 milhões USD, em que apenas 1.494 milhões USD tiveram como destino países do continente africano. Para o resto do mundo foram exportadas mercadorias no valor de 28.718 milhões USD, a maior parte petróleo para a Ásia.
Contas feitas, significa que apenas 5% das vendas angolanas foram para África. Por outro lado, Angola importou o equivalente a 16.827 milhões USD, em que apenas 1.293 milhões foram fornecidos por países africanos, equivalente a 8% do total das compras angolanas ao estrangeiro.
A fraca relação comercial entre Angola e África em nada ajuda o País, sobretudo em momentos como os que se vivem atualmente, devido ao conflito no Médio Oriente, que condiciona a livre circulação de mercadorias, elevando os preços de transporte, ou em outras situações em que a economia mundial sofre abalos, defendem especialistas. “Esta fraca troca comercial com África faz de Angola um dos países mais afectados com as crises do comércio internacional devido à sua matriz importadora. E o momento actual é uma amostra disso, porque vai ter impacto nos preços e quem vai pagar é o consumidor inal”, disse ao Expansão o economista Silva Miguel.
Para este profissional, Angola tem que melhorar significativamente a sua produção interna para poder pensar em aumentar as trocas comerciais, e deixar de ser essencialmente um exportador de petróleo (80% das exportações), gás (11%) e diamantes (4%).
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