Em meio à euforia popular, Leão XIV emociona Malabo

Quilômetros de multidões jubilantes, rios de bandeiras, gritos… A Guiné Equatorial tomou as ruas de Malabo em 21 de abril para dar uma recepção incrível a Leão XIV.

O avião do Papa Leão XIV, vindo de Luanda, Angola, pousou na pista do Aeroporto de Malabo, no litoral, no final da manhã de terça-feira, 21 de abril. A capital ofereceu-lhe uma impressionante fanfarra militar com centenas de músicos em uniformes impecáveis, que começaram a tocar o hino do Vaticano, dando-lhe um toque mais jazzístico do que a marcha solene, mas animado por uma palpável demonstração de boa vontade.

Atrás dos soldados, uma multidão aclamava o pontífice com júbilo assim que sua silhueta apareceu nos degraus do aeroporto. Este foi apenas o começo: sua chegada era claramente aguardada com grande expectativa, com grupos de pessoas agitando bandeiras assim que ele deixou o aeroporto. Para sua grande alegria, o sucessor de Pedro percorreu os cerca de dez quilômetros até o palácio presidencial, onde se encontraria com o presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo e os líderes do país, em um papamóvel conversível.

1,2 milhão de batizados

Enquanto aguardava o início do delicado diálogo político com os líderes deste país conhecido por seu autoritarismo, o Papa encontrou uma multidão entusiasmada ao longo do trajeto. Aparentemente sobrecarregada, a polícia local correu em ambos os lados do veículo papal, formando uma corrente humana de mãos dadas para conter o fervor popular. Toda a capital estava iluminada com cores para a chegada do Pontífice Romano, e com razão: com seus 1,2 milhão de católicos batizados, representando três quartos da população, a Guiné Equatorial é o país mais católico na viagem africana de Leão XIV.

Papa Leão XIV, Presidente da Guiné Equatorial Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, Palácio Presidencial, Malabo, África

ALBERTO PIZZOLI | AFP

Em placas ao longo da rodovia e em frente ao palácio presidencial, a imagem do Papa estava por toda parte, aparecendo até mesmo no vestido da Primeira-Dama. Constancia Mangue de Obiang usava um boubou (vestido tradicional) azul claro estampado com a imagem do pontífice, com as mãos erguidas, celebrando a missa. Essa era uma forma de demonstrar afeto pelo ilustre convidado, um sentimento também observado em todos os países africanos visitados por Leão XIV: em chapéus, vestes e lenços de cabeça, o Papa era venerado como um ícone.