“Entre 01 e 17 de abril de 2026, a intensificação dos ataques e movimentos de Grupos Armados Não Estatais levou a novas vagas de deslocação forçada nos distritos de Macomia e Muidumbe, em Cabo Delgado. Um total de 573 pessoas (177 famílias) foram deslocadas”, lê-se num relatório de campo daquela Agência das Nações Unidas, consultada hoje pela Lusa.
De acordo com a OIM, as deslocações aconteceram, principalmente, nas localidades de Nkóe e Nguida, no distrito de Macomia, bem como em Miengueleva, no distrito de Muidumbe, tendo sido feitas realocações das vítimas para áreas mais seguras dentro dos mesmos distritos.
“Entre 01 e 02 de abril, o distrito de Muidumbe registou uma crescente presença de Grupos Armados Não Estatais, provocando deslocações devido à crescente insegurança e ao receio de novos ataques nas zonas vizinhas. As equipas de campo da Matriz de Monitorização de Deslocamentos [DTM] registaram a chegada de 121 pessoas às localidades de Namacande [59], Chitunda [46] e Muidumbe [16] dentro do distrito”, refere-se no documento.
A OIM avança ainda que, entre terça e sexta-feira da última semana, os ataques de grupos insurgentes na localidade de Nkóe, com os seus movimentos subsequentes em direção à localidade de Nguida, aumentaram a insegurança em toda a área afetada e nas áreas circundantes, resultando na deslocação de 452 pessoas naquela região.
“As crianças representam a maioria dos deslocados [52%], seguidas pelas mulheres [26%] e pelos homens [22%]. As necessidades humanitárias imediatas identificadas incluem assistência alimentar, abrigo de emergência e bens essenciais não alimentares”, concluiu a organização.
Pelo menos duas pessoas foram mortas por supostos terroristas na aldeia de Nguida, distrito de Macomia, na província de Cabo Delgado, disse na sexta-feira à Lusa uma fonte oficial.
As mortes aconteceram na quarta-feira, nos campos de produção agrícola perto do rio Messalo, sul de Nguida, precisou a mesma fonte.
“Foram mortas duas pessoas, eram camponesas, estavam lá com os seus familiares e foram surpreendidos com os terroristas e mataram-nas à facada”, disse fonte oficial, a partir de Macomia.
Segundo a fonte, trata-se do mesmo grupo que atacou na semana anterior a aldeia de Nkoé, provocando a morte de uma pessoa, mas também ferimentos em dezenas de rebeldes, no confronto com as autoridades locais.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
A organização ACLED estima que a província moçambicana de Cabo Delgado tenha registado três eventos violentos nas duas últimas semanas, dois envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram três mortos, elevando para 6.518 os óbitos desde 2017.
De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 23 de março a 05 de abril, dos 2.345 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.174 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
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