Além da decepção: Mélanie de Jesus dos Santos relembra tudo o que conquistou
Enquanto reflete sobre os próximos passos, fica claro que Mélanie encontrou certa paz — ainda que não total — com sua experiência Olímpica.
“Acho que fiz tudo certo para Paris. Não tenho muito do que me arrepender. Minha preparação no WCC foi muito boa. Treinei muito. Sempre dá pra fazer mais, mas acho que foi o suficiente para Paris,” diz de Jesus dos Santos. “A única coisa de que me arrependo foi de ter levado meu passado comigo quando fui para os Estados Unidos. Tentei de verdade deixar isso para trás, mas quando voltei para a França, para Paris, perdi completamente a confiança. Senti que tinha regredido uns três anos.”
Ainda assim, há momentos dos Jogos que ela guarda com carinho.
“Adorei a arena de competição. Estava linda, a Arena Bercy era magnífica. A Vila Olímpica – incrível, também linda. As pessoas, os voluntários, os parisienses foram pacientes,” conta ela. “Para nós atletas, foi incrível. Vou me lembrar disso.”
Os Jogos também a forçaram a enfrentar algo mais profundo.
“Infelizmente, é preciso passar por momentos difíceis para aprender,” continua. “Cair tão fundo… Não vou dizer que tive depressão… bom, sim, posso dizer que tive. Passar por isso depois dos Jogos me permitiu fazer as perguntas certas e encontrar a equipe certa para me ajudar.”
“Essas são perguntas que eu jamais teria feito se não tivesse falhado daquela forma.”
Esse processo a ajudou a reavaliar sua relação com a ginástica — a reacender o amor pelo esporte e compreender melhor como ele a sustentou por tanto tempo.
“Agora eu percebo que a ginástica me deu muito. Eu viajei, conheci pessoas incríveis, fiz tantas coisas graças à ginástica,” diz. “Então meus sentimentos são mistos. Fico um pouco triste porque ela também me tirou uma parte da vida — precisei fazer escolhas, deixar minha família, viver sozinha num país desconhecido. Mas, por outro lado, ela me deu tanto. Então é misto — mas eu amo esse esporte, e faria qualquer coisa para continuar fazendo ginástica. Isso mostra o quanto eu amo.”
Esse amor a ajudou a lembrar de tudo o que já conquistou — duas participações olímpicas, quatro títulos europeus, uma medalha de bronze por equipes no Mundial e muito mais — feitos que, logo após Paris, pareciam apagados.
“Senti como se o que aconteceu nos Jogos tivesse apagado tudo que eu fiz na carreira,” admite. “Mas agora que estou melhor, digo a mim mesma: ‘Mas Mélanie, você não pode esquecer todas as competições que fez. Você teve resultados. É tetracampeã europeia, tem uma medalha mundial, é heptacampeã francesa. Não pode focar só no que aconteceu nos Jogos.’”
Mas um momento se destaca acima de todos: aquele que iniciou tudo — o ato corajoso de deixar sua casa, a mesma onde agora encontra conforto, para perseguir um sonho.
“Na verdade, tenho bastante orgulho de mim,” diz ela. “A coisa mais incrível que fiz foi deixar minha casa, deixar a Martinica aos 12 anos. Penso: ‘Uau, você foi forte — você foi muito forte.’ Então agora, quando olho para trás, me digo: ‘O que você fez foi incrível. Não se prenda apenas ao que aconteceu nos Jogos.’”
“Pelo contrário,” continua de Jesus dos Santos, “isso acontece, até com os melhores. E tudo bem. Siga em frente. Não é o fim do mundo. Sua família está bem, você está saudável. Não é o fim.”
“Então, levante-se.”
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