Por que o Rio de Janeiro é um ‘alerta’ para o Brasil, segundo The Economist

O imbróglio envolvendo a sucessão no Rio de Janeiro, e o histórico nada abonador de seus ex-governantes, ganhou destaque nas páginas da The Economist. Em reportagem publicada nesta semana, a revista britânica descreve o Rio como símbolo de uma contradição: ao mesmo tempo em que se vende como cartão-postal do Brasil e vive a melhor era do turismo, impulsionada pela febre do Brazil Core, o estado está mergulhado em uma crise política e de segurança.

A reportagem destaca que, por trás do sinônimo de festas e de belezas naturais, há um estado ameaçado pela instabilidade política, pela corrupção e pela presença ostensiva de facções e milícias. A publicação descreve a situação do Rio como um “aviso” ao resto do país sobre a “infiltração sistêmica” do crime nas instituições públicas.

Sem governador nem vice, o Rio de Janeiro vem sendo governado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do estado, que não tem experiência em gestão. O cenário é de incerteza sobre como será a eleição para definir o sucessor do magistrado. A decisão será tomada no Supremo Tribunal Federal (STF), mas o julgamento foi paralisado, sem previsão de retorno.

O texto da The Economist foi publicado poucas semanas depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarar a inelegibilidade, por oito anos, do ex-governador Cláudio Castro. O TSE concluiu que Castro cometeu abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. No centro da crise está justamente a dúvida sobre quem deve comandar o estado até o fim do mandato. O Supremo Tribunal Federal ainda discute se a escolha do novo governador deve ocorrer por eleição direta ou indireta. Em 9 de abril, a Corte adiou a decisão, prolongando o impasse político no Rio. 

A crise institucional se agravou também com a cassação e prisão de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio. Em 27 de março, ele foi preso novamente por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, sob suspeita de vazar informações sigilosas sobre um inquérito da Polícia Federal envolvendo o ex-deputado estadual TH Joias, que por sua vez é investigado por ligações com o crime organizado. 

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A publicação também resgata episódios emblemáticos da violência política recente, como o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes. Em fevereiro deste ano, o Supremo condenou os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão a mais de 76 anos de prisão por encomendar o crime, segundo a Corte.

Na leitura da The Economist, o caso fluminense ultrapassa a sucessão de escândalos individuais. Ao percorrer áreas dominadas por facções e milícias, a reportagem descreve um ambiente em que o poder paralelo reina com a tolerância de parcelas da elite política.

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