O Paraguai voltou a ganhar destaque no mapa estratégico da reciclagem animal brasileira após uma série de reuniões realizadas nos dias 9 e 10 de abril de 2026, em Assunção. Os encontros, conduzidos pela Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA) com apoio da Embaixada do Brasil, reuniram autoridades governamentais e representantes de diferentes segmentos do agronegócio paraguaio, sinalizando a abertura de novas frentes de cooperação e negócios.
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Com participação do embaixador Antônio Marcondes e do ministro-conselheiro Emerson Kloss, a agenda teve como objetivo fortalecer o diálogo institucional e explorar oportunidades comerciais entre os dois países. As conversas envolveram desde o Vice-Ministério da Agricultura até entidades ligadas à suinocultura, aquicultura e produção de insumos.
O ponto de partida técnico das discussões foi um estudo desenvolvido pela ABRA em parceria com o Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos e Bebidas de Goiás. O levantamento destaca que, embora o Brasil tenha posição consolidada na produção de farinhas de ossos e vísceras, ainda há espaço para ampliar o uso desses insumos, especialmente em segmentos de maior valor agregado.

Entre as oportunidades identificadas estão o desenvolvimento de suplementos para alimentação humana, com foco no público esportivo, e a produção de insumos voltados a animais de alto desempenho, como cavalos de corrida. O estudo também aponta aplicações em nutrição animal, agricultura com adubos orgânicos e corretivos de solo e bioenergia, incluindo biogás e biodiesel.
O interesse demonstrado durante os encontros já resultou em compromissos concretos. Representantes paraguaios confirmaram participação na Fenagra, que será realizada em maio no Brasil, e na REAM 2026, prevista para setembro na Argentina. Por sua vez, a ABRA anunciou presença em um evento no principal polo produtivo paraguaio, programado para junho.
Articulação institucional marca primeiro dia
O primeiro dia de reuniões foi marcado por forte presença institucional. O vice-ministro da Agricultura do Paraguai, Marcelo Gonçalvez, participou das discussões, indicando interesse do governo em aprofundar o diálogo com o setor brasileiro.
Também estiveram presentes representantes de entidades relevantes do agronegócio paraguaio, como a Asociación de Productores de Raciones y Materias Primas (APROM), liderada por Jaqueline Farias, além de integrantes de associações de suinocultores, indústrias sustentáveis e do setor produtivo rural. A diversidade de participantes ampliou o escopo do debate e reforçou o caráter multissetorial das tratativas.
A atuação da Embaixada do Brasil foi apontada como elemento central para viabilizar o encontro, promovendo a interlocução entre os setores público e privao e dando respaldo institucional às negociações.

Aquicultura ganha espaço nas discussões
No segundo dia, a agenda se concentrou nos setores de aquicultura e piscicultura, considerados estratégicos e em expansão no Paraguai. Lideranças como Hilarion Gaona, da Federação Nacional de Produtores de Aquicultura (FENAPROA), Felipe Ayala, da Câmara Paraguaia de Produtores de Aquicultura, e Ovideo Martins Baes, da Asociación de Productores Piscícolas del Paraguay (APROPEZ), participaram das reuniões.
A inclusão desses segmentos ampliou as possibilidades de integração com a cadeia de reciclagem animal, especialmente no fornecimento de insumos para alimentação aquícola.
A presença de produtores locais também trouxe uma perspectiva prática às discussões, conectando as propostas técnicas à realidade do campo. Ao longo de toda a agenda, o acompanhamento de representantes da Embaixada garantiu continuidade às tratativas e reforçou o caráter estratégico da iniciativa.
Com interlocutores definidos e compromissos em andamento, a agenda construída em Assunção indica um movimento concreto de reaproximação entre Brasil e Paraguai no setor, com potencial para gerar novas oportunidades comerciais e ampliar a integração regional.
Fonte: ABRA, adaptado pela equipe da Feed&Food
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