ONU recebe acusações contra membros de missão internacional por agressões sexuais no Haiti

A Organização das Nações Unidas recebeu quatro denúncias de “exploração e abusos sexuais” envolvendo membros da missão multinacional liderada pelo Quênia no Haiti, informou nesta segunda-feira (20) o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric.




Tratam-se de denúncias de estupro de uma menor de 12 anos e de duas adolescentes de 16 anos, além de violência sexual (não especificada) contra uma jovem de 18 anos.


Embora a Missão Multinacional de Apoio à Segurança (Mass) — implantada em 2024 e atualmente em processo de retirada — não seja uma missão da ONU, ela possui mandato do Conselho de Segurança para apoiar a polícia haitiana no combate às gangues.


A Mass está sendo substituída pela nova Força de Repressão às Gangues (FRG). A missão atual chegou a contar com mais de mil integrantes, a maioria policiais provenientes do Quênia.


Dujarric indicou que o Alto Comissariado para os Direitos Humanos “monitora, documenta e acompanha as denúncias de exploração e abuso”.


“É importante que cada acusação seja totalmente investigada pelas autoridades nacionais do país em que os membros da missão operam”, acrescentou.


Em um relatório que detalha os casos de exploração e abusos sexuais, a ONU afirmou que “todas as acusações foram consideradas fundamentadas após as investigações”.


Na sexta-feira, a Human Rights Watch chamou atenção para esse relatório e solicitou à nova força que chegará ao Haiti — para a qual o Chade enviará 1.500 homens — que tenha “salvaguardas mais robustas para prevenir futuras violações”.


“As mulheres e meninas no Haiti enfrentam uma violência sexual generalizada. As forças internacionais enviadas para ajudar a restaurar a segurança não deveriam agravar os abusos”, afirmou a ONG em um comunicado.


Não é a primeira vez que membros de uma missão internacional no Haiti são alvo desse tipo de denúncia.


Os capacetes azuis da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti, implantada entre 2004 e 2017, também foram acusados de violência sexual.

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