Em mais de quatro décadas de relação com o Centro de Tecnologia (CT) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Cláudia do Rosário Vaz Morgado acompanhou algumas de suas principais transformações. Chegou ao campus em 1982, como estudante de Engenharia Civil, quando computadores pessoais ainda não faziam parte da rotina acadêmica e iniciativas hoje consolidadas, como empresas juniores e equipes de competição, sequer existiam. E na última terça-feira, 15/9, assumiu uma posição até então nunca ocupada por uma mulher: a de decana do CT.
A cerimônia de posse foi realizada no Auditório Horta Barbosa, no Bloco A do Centro, na Cidade Universitária.
Primeira mulher a dirigir a Escola Politécnica em seus mais de dois séculos de história, Cláudia Morgado chega à decania em um momento igualmente inédito para o CT. “Não trago esses marcos como troféus, trago-os como responsabilidades. Entendo que o significado desses marcos não está em mim, mas no que eles podem inspirar”, afirmou.
Para Cláudia Morgado, o CT deve reforçar seu papel na formação de profissionais para a engenharia nacional e na interlocução com os diferentes setores. “Não há engenharia forte sem universidade forte e não há universidade forte sem diálogo permanente com a sociedade e com quem exerce a engenharia diariamente.”
Diante de desafios como infraestrutura, evasão e transformações tecnológicas que “não esperam por ninguém”, Cláudia apresentou os eixos programáticos para os próximos quatro anos. Entre eles, estão digitalização e tecnologias 4.0, gestão inteligente de dados, acessibilidade, sustentabilidade, segurança de sistemas e criação de espaços de convivência, estudo e intercâmbio acadêmico. A proposta é que o próprio CT sirva como campo de experimentação para projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
A relação entre engenharia e desenvolvimento do país também foi abordada pelo reitor, Roberto Medronho, que associou ciência, tecnologia e inovação à soberania nacional. “Nenhum país pode ser verdadeiramente soberano se não tiver capacidade de produzir conhecimento, formar pessoas altamente qualificadas, dominar tecnologias estratégicas e transformar ciência em inovação”, declarou. Para Medronho, fortalecer o CT significa também fortalecer a própria Universidade: “Uma universidade forte precisa de um Centro de Tecnologia forte”.
Já a vice-reitora, Cássia Turci, destacou que a função da decania é promover a integração entre as unidades de cada centro. “Se um decano ou uma decana se dedica justamente a essa questão da articulação entre as unidades, nós teremos as unidades acadêmicas mais fortes e mais aptas a desenvolver o que elas precisam de fato”, disse.
O Centro de Tecnologia (CT) da UFRJ reúne a Escola Politécnica, a Escola de Química, o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), o Instituto de Macromoléculas Professora Eloisa Mano (IMA) e o Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (Nides).
Pelos próximos quatro anos, Cláudia estará à frente da decania ao lado de Maria Inês Bruno Tavares, como vice-decana. A engenheira sucede Walter Issamu Suemitsu, responsável pelas duas gestões anteriores.
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