Os Estados Unidos deportaram para o Haiti uma criança brasileira nascida em 2021, em um dos primeiros efeitos sobre famílias da ofensiva do governo Donald Trump contra o programa de proteção humanitária destinado a haitianos. O menino foi enviado em 27 de agosto junto com os pais, ambos haitianos, e os irmãos. Com informações da Folha de S.Paulo.
A família vivia em Nova York e era beneficiária do Status de Proteção Temporária, o TPS, mecanismo que autorizava haitianos a permanecer e trabalhar legalmente nos Estados Unidos diante da situação de emergência em seu país. Depois que perdeu a proteção no fim de julho, tentou seguir para o Canadá para pedir asilo, mas foi detida e devolvida às autoridades estadunidenses.
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Já sob custódia do ICE, a agência de imigração dos Estados Unidos, a família acabou enviada ao Haiti. O menino brasileiro viajou com um irmão mais novo, nascido nos Estados Unidos, outro mais velho, nascido no Haiti, e os pais. Os EUA normalmente oferecem às famílias a possibilidade de seguir juntas para o país de origem dos adultos, evitando a separação entre pais e filhos.
A política que abriu caminho para o caso foi autorizada pela Suprema Corte dos Estados Unidos em junho, quando a maioria conservadora permitiu que Trump encerrasse a proteção temporária contra deportação de haitianos. Em julho, o ICE já preparava uma operação voltada aos imigrantes atingidos pelo fim do TPS. Cerca de 330 mil haitianos estavam abrangidos pela proteção.
A situação se torna especialmente grave pelo destino das famílias. Entre 80% e 90% de Porto Príncipe está sob domínio de gangues armadas, mais de 1,4 milhão de pessoas foram deslocadas de suas casas pela violência e 5,8 milhões enfrentam insegurança alimentar. Os voos de deportação dos Estados Unidos para o Haiti, antes mensais, passaram a ser programados semanalmente.
No mesmo avião havia outra criança nascida no Brasil, uma menina de 2015. Nesse caso, o pai haitiano havia aderido ao programa de retorno voluntário do ICE, e a família posteriormente procurou a Embaixada do Brasil em Porto Príncipe para tentar obter vistos de reunião familiar e vir ao país. O procedimento ainda estava em andamento.
Casos envolvendo filhos brasileiros de haitianos podem se repetir. Muitas famílias passaram anos no Brasil depois do terremoto de 2010 antes de migrarem para os Estados Unidos, já com filhos nascidos em território brasileiro. Com o fim do TPS e a ampliação dos voos para o Haiti, organizações que acompanham a crise preveem a chegada de mais crianças brasileiras ao país caribenho.
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