“Fui homem. Pedi para o Mano não me convocar mais.’ O capitão dos capitães de Portugal. Que o Corinthians deixou escapar. Luisão
São Paulo, Brasil
“É a maior honra que um jogador brasileiro tem, vestir a camisa da Seleção. Mas sabia que o Benfica precisava de mim. E sempre negavam uma chance de verdade para mim. Fui para duas Copas do Mundo. E foi sempre a mesma coisa. Fui homem. Tive a dignidade de pedir para o Mano não me convocar mais.”
Luisão sempre foi um homem de atitude. Forjado nas dificuldades. Com a família lutando para sobreviver na pobreza, em Amparo. Com o espaço cedido para viver, ‘de favor’, dividido por lençóis pendurados. Separavam os ‘quartos’ da ‘sala’.
Ajudava o pai que trabalhava em um sanatório. “Jogava futebol com os loucos. Eles jogavam segurando cobertores. Quando eram driblados, jogavam os cobertores na gente. Eu sabia que tinha de dar certo, fizesse o que fizesse, para tirar a minha família desta pobreza. Foi a missão que dei para mim. E cumpri.”
Muito alto e com personalidade fortíssima, mostrava talento desde cedo para atuar como zagueiro. E nasceu para ser capitão dos times que jogava. Levado pelo empresário Giuliano Bertolucci ao Corinthians, não ficou por conta da chegada da MSI. Bertolucci era dono do futebol do Juventus, da capital paulista, e a Mooca virou o destino do garoto.
Com a camisa grená, Luisão foi capitão e vice campeão da taça São Paulo, perdendo a final para o São Paulo, por 2 a 1, em 2000. O talentoso beque de 1m94 despertou a atenção do Corinthians, São Paulo e Palmeiras.
Só que já estava negociado com o Cruzeiro.“No começo, o clube passava por uma grande reformulação. Mas em 2003, o Vanderlei Luxemburgo formou um time fabuloso. Ganhamos o Mineiro, a Copa do Brasil. Eu joguei metade do Brasileiro, quando ganhamos a Tríplice Coroa. Não fui até o fim porque o Cruzeiro me vendeu para o Benfica.
“Aliás, o presidente Zezé Perrella havia me prometido me dar um apartamento por eu aceitar ir para Portugal. Era um direito meu. Fui cobrar e ele me disse que não se lembrava de ter prometido nada. Não coloquei no papel. Tem gente que só a palavra não basta. Tenho pena de pessoas assim.“

Depois de um curto, e sofrido, período de adaptação, Benfica e Luisão perceberam que nasceram um para o outro. Sua personalidade forte, mas ao mesmo tempo agregadora, vibrante, exigente fez com que se transformasse no capitão dos capitães no Benfica. Ninguém na história do clube exibiu a tarja de capitão por tantos jogos.
“Um brasileiro chegar a 414 partidas como capitão do português Benfica, um dos gigantes do mundo, é uma honra enorme. O meu amor, a minha dedicação pelo Benfica foram totais. Assim também como o clube, a torcida me amam até hoje. Foram 15 temporadas em Lisboa. 538 partidas. Tenho muita saudade da nossa relação”, admite.
A carreira é extremamente vitoriosa. São 31 títulos. 20 com a camisa do Benfica. Heptacampeão português. Dois vices da Liga Europa. O Brasil não tem ideia da idolatria de Luisão em Portugal. Não tem paz para andar na rua, de tão amado.A Seleção o subestimou. Ele nunca teve chance real, continuidade.
“Respeito demais Lúcio e Juan. E Thiago Silva e David Luiz. Eles foram os titulares em 2006 e 2010. Mas eu vivia uma fase maravilhosa. Só que nunca me deram chance. Fiquei na reserva das duas Copas. Na preparação para 2014, avisei ao Mano que não queria mais. Meu clube precisava muito mais de mim do que a Seleção.”
A grande alegria da Seleção na vida de Luisão foi o jogo das Eliminatórias, contra a Bolívia, que ele e seu irmão, Alex Silva, zagueiro do São Paulo, foram convocados. “Foi uma festa inesquecível para a família. No Brasil acho que nunca houve algo assim. Dois irmãos convocados.”
Luisão foi diretor e coordenador de futebol por mais seis anos no Benfica. Jorge Jesus exigiu que estivesse com ele comandando o futebol.No Brasil, para ficar, Luisão se apaixonou pelo jornalismo esportivo. Comentou a Copa dos Estados Unidos, com muita visão e sinceridade, na ESPN.
“Quero seguir comentando. Me sinto muito bem. Com a experiência de quem viveu como jogador e dirigente. Sem medo de dizer a verdade.”
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