O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciaram um acordo entre os dois países para exploração de petróleo, com participação direta de operadores privados.
De acordo com Rodríguez, o acordo abrange 17 campos estratégicos com potencial comprovado de 65 bilhões de barris de petróleo, e terá duração de 25 anos. As atividades devem atrair mais de US$ 100 bilhões em investimentos, e ultrapassar US$ 209 bilhões em tributos, segundo a autoridade venezuelana, que também informou a meta de produção superior a 1,5 milhão de barris por dia.
Em seu comunicado inicial, Rodríguez avalia que o acordo “terá um impacto significativo no renascimento da nação” e facilitará um “importante fluxo de investimentos destinado à recuperação e reconstrução de infraestrutura estratégica para o desenvolvimento de nossa indústria de hidrocarbonetos”.
Ela assumiu como presidente interina após a captura do presidente Nicolás Maduro por tropas dos EUA em 3 de janeiro, sob acusação de “inúmeros crimes violentos, incluindo conspiração para narcoterrorismo”, segundo o departamento de Energia dos EUA.
De acordo com manifestação de Trump em sua rede social Truth Social, o acordo garante aos EUA controle “majoritário” sobre as reservas e mais do que dobra as reservas de petróleo dos EUA. Assim, aumenta o suprimento de petróleo do país e reduz “substancialmente” o preço da gasolina para os norte-americanos, “sem nenhum custo para o contribuinte”.
De acordo com a Administração de Informação Energética dos EUA (EIA), a Venezuela possuía em 2023 a maior reserva de petróleo do mundo, estimada em 303 bilhões de barris de óleo bruto, o que representava cerca de 17% das reservas mundiais. Entretanto, a produção do país é bastante limitada por fatores como infraestrutura deficiente, sanções econômicas, restrições financeiras e falta de mão-de-obra qualificada.
Na segunda-feira, 24 de agosto, Rodríguez afirmou que o país está atualmente produzindo 1,23 milhão de barris por dia de petróleo, o nível mais elevado desde fevereiro de 2019.
Interesse de empresas brasileiras na Venezuela desde a captura de Maduro
Ainda em janeiro, após a captura de Maduro, Rodríguez sancionou uma lei que ampliou a possibilidade de participação de empresas privadas no setor de óleo e gás venezuelano, permitindo que empresas com domicílio na Venezuela assumam a operação de campos por meio de contratos com empresas estatais, que não precisam mais ter participação majoritária nos contratos.
A abertura desperta o interesse de empresas brasileiras. “A Venezuela se apresenta com recursos descobertos relevantes, ela é aqui nossa vizinha, é muito natural que a gente queira cogitar a Venezuela”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em maio. Na ocasião, a executiva também ressaltou que as abordagens ainda eram muito iniciais e que não havia previsão de investimentos.
Outra empresa que declarou ter interesse na Venezuela, ainda que sem planos no momento, foi a Eneva. “A Venezuela é um país que está tendo uma abertura, uma mudança regulatória e de administração significativa que reduz um risco gigantesco. E é um país que precisa de tudo que a Eneva tem capacidade de fazer, seja no upstream seja no downstream, seja na geração [de energia]. Então, claro, a gente tem interesse, estamos estudando Venezuela”, disse o presidente da Eneva, Lino Cançado, em junho, durante o Enase.
A Fluxus, empresa controlada pela J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, teria comprado a A&B Oil & Gas, empresa que detém participação em uma joint venture com a estatal PDVSA. As informações são da Bloomberg.
*Com informações da Agência Brasil
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