Impulsionadas pela busca por eficiência operacional, competitividade tributária e integração logística, empresas brasileiras de diferentes setores estão vendo o Paraguai como um polo estratégico de produção.
Existem hoje mais de 320 empresas operando sob o Regime de Maquila no Paraguai, das quais 70% são de capital brasileiro. Não há uma estatística oficial indicando quantas empresas são do Paraná, mas, pela proximidade com a fronteira e pela forte integração econômica entre Foz do Iguaçu e Alto Paraná, estima-se que uma parcela importante dessas companhias tenha origem no estado.
Vale destacar que o Regime de Maquila é um programa de incentivo à produção industrial do Paraguai criado há mais de 20 anos para atrair empresas estrangeiras e transformar o país em uma plataforma de produção e exportação.
Eu conversei com o sócio diretor da Vbr Brasil, Wesley Figueira e com o diretor da CPA Ferrere, no Paraguai e Uruguai, Pedro Ayala, ambas empresas associadas à consultoria e auditoria Praxity, sobre as vantagens, incentivos, contratação de mão de obra e, principalmente, se o modelo paraguaio realmente faz sentido para a estratégia de longo prazo das empresas brasileiras.
Tanto Wesley quanto Ayala reconhecem que o ambiente de negócios paraguaio é bem mais simples e previsível do que o brasileiro. Abrir uma empresa, obter registros e cumprir as obrigações tributárias é bem mais rápido no Paraguai do que no Brasil. Enquanto o sistema tributário brasileiro ainda é bastante complexo, o Paraguai trabalha com uma estrutura enxuta, tendo como principais tributos o IVA e o Imposto de Renda Empresarial, ambos com uma alíquota de 10%. Isso reduz custos administrativos e facilita a vida do investidor.
O diretor da Vbr Brasil me contou que clientes brasileiros têm buscado o Paraguai não porque sejam malsucedidos aqui, mas porque têm a possibilidade de serem bem mais sucedidos no país vizinho.
O que mais motiva uma empresa brasileira a se transferir para o Paraguai?
O principal fator é a competitividade. O diretor da Ferrere me explicou que o empresário busca reduzir custos sem abrir mão da qualidade e da proximidade com o mercado brasileiro. O executivo também destaca que o Paraguai oferece energia elétrica barata, menor carga tributária, custos trabalhistas mais baixos e um regime de maquila extremamente competitivo para empresas voltadas à exportação. Tudo isso ajuda a reduzir o chamado “Custo Brasil”.
Já Wesley Figueira aponta como fator importante a simplicidade e facilidade de contratar e demitir no Paraguai.
Embora o salário-mínimo no Paraguai seja hoje o equivalente a R$ 2.678, o custo da mão de obra é mais barato do que no Brasil. Segundo Pedro Ayala, mais importante do que o salário é o custo total da contratação. No Paraguai, os encargos trabalhistas e as contribuições patronais são menores, o que reduz significativamente o custo para as empresas e aumenta a competitividade.
Amanhã eu vou falar sobre quais cidades do Paraguai estão abrigando as empresas brasileiras, incentivos e qual a economia em custos de produção ao ter sua sede no Paraguai.
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