Israel e Venezuela restabelecem relações consulares, interrompidas há 17 anos

Como fica o governo da Venezuela após a queda de Maduro?

Sem María Corina Machado e com Delcy Rodríguez como presidente interina, EUA buscam evitar a instabilidade de uma mudança total de regime.

Israel e a Venezuela anunciaram nesta terça-feira, 11, o restabelecimento de suas relações consulares, 17 anos após o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países.

A aproximação ocorre após a derrubada e captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro em uma operação dos Estados Unidos em janeiro, e enquanto Delcy Rodríguez, que era vice de Maduro, governa interinamente sob forte pressão de Washington.

Rodríguez começa a enfrentar o descontentamento das alas mais radicais do chavismo. Cerca de cem apoiadores de Maduro protestaram no dia 24 de julho contra a aproximação entre Caracas e Washington. Durante o protesto, eles queimaram as bandeiras dos Estados Unidos e de Israel.

Delcy Rodríguez governa a Venezuela interinamente sob forte pressão de Washington Foto: Pedro Mattey / AP Photo

Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, o entendimento foi alcançado após conversas mantidas nas últimas semanas entre o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, e seu homólogo venezuelano, Félix Plasencia.

“Essas discussões resultaram em um acordo destinado a implementar um mecanismo de coordenação que permita prestar serviços consulares aos cidadãos de ambos os países”, acrescentou o ministério.

Em um comunicado conjunto divulgado nesta terça, os governos de Israel e da Venezuela destacaram “a importância da relação entre o Estado de Israel e a comunidade judaica residente na República Bolivariana da Venezuela, que serve como uma importante ponte de amizade histórica entre os dois países”.

Plasencia recebeu no domingo, 9, o grande rabino da Associação Israelita da Venezuela, Isaac Cohen, que havia solicitado o restabelecimento das relações diplomáticas e consulares com o objetivo de “atender às necessidades da comunidade judaica” na Venezuela. De acordo com o Congresso Judaico Mundial, cerca de 6 mil judeus vivem no território venezuelano.

O comunicado acrescenta que os dois países concordaram em “dar continuidade à sua cooperação técnica bilateral decorrente dos trabalhos de resposta à emergência e reconstrução após o duplo terremoto”. Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5, ocorridos em 24 de junho, deixaram pelo menos 6.301 mortos, segundo o último balanço oficial. As equipes de resgate e as famílias continuam removendo os escombros em busca de mais vítimas.

Rompimento

A Venezuela havia rompido suas relações diplomáticas com Israel em janeiro de 2009, quando o então presidente Hugo Chávez (1999-2013), antecessor de Maduro, expulsou o embaixador israelense em Caracas em resposta a uma ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza.

Os governos de Chávez e de Maduro manifestaram, na época, sua rejeição a Israel e reconheceram a Palestina como um Estado legítimo. “Maldito seja, Estado de Israel!”, criticou Chávez durante um discurso memorável transmitido por rádio e televisão em 2010.

Paralelamente, a Venezuela fortaleceu os laços com o Irã, que se consolidou como aliado próximo primeiro de Chávez e depois de Maduro, em uma cooperação que incluiu negócios petrolíferos em meio a bloqueios e sanções dos Estados Unidos contra ambos os países. / AFP

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