Brasil e Uruguai deram um novo passo para aproximar seus destinos turísticos e aumentar a circulação de visitantes pela fronteira. Os dois países assinaram um acordo de cooperação que prevê a criação de novas rotas, experiências integradas e ações conjuntas para fortalecer o setor.
O Memorando de Entendimento sobre Cooperação Turística foi assinado nesta quinta-feira (6), em Punta del Este, pelo ministro do Turismo do Brasil, Gustavo Feliciano, e pelo ministro do Turismo do Uruguai, Pablo Menoni.
A assinatura ocorreu durante uma reunião técnica que antecede o XI Encontro Regional de Cruzeiros e Turismo Náutico-Fluvial. O documento estabelece uma agenda conjunta voltada ao desenvolvimento sustentável do turismo, à integração regional e ao aumento do fluxo de visitantes entre Brasil e Uruguai.
A proposta amplia a cooperação entre os dois governos e coloca as regiões de fronteira no centro da estratégia.
Entre os principais pontos do memorando está o desenvolvimento do turismo de fronteira. A intenção é estimular a criação de rotas que atravessem os limites nacionais e permitam ao visitante conhecer atrações dos dois países em uma mesma viagem.
O acordo também prevê o desenvolvimento de experiências turísticas integradas, além da promoção conjunta de destinos brasileiros e uruguaios.
Outra frente envolve a capacitação de profissionais e o intercâmbio técnico. Brasil e Uruguai pretendem promover cursos, seminários, oficinas e compartilhar boas práticas relacionadas ao turismo.
Os países também devem ampliar a participação coordenada em feiras internacionais e trabalhar para melhorar a conectividade multimodal. A medida busca facilitar o deslocamento de turistas entre diferentes destinos.
Para Gustavo Feliciano, a proximidade geográfica entre os dois países pode gerar oportunidades econômicas maiores quando trabalhada de forma integrada.
“O Brasil e o Uruguai compartilham uma fronteira que vai muito além dos limites geográficos. Estamos construindo uma agenda permanente de cooperação para transformar essa proximidade em mais desenvolvimento, empregos e oportunidades para os dois países por meio do turismo.”
A estratégia também pode beneficiar cidades que atualmente funcionam como portas de entrada para viajantes internacionais.
A assinatura ocorre paralelamente a uma iniciativa do Ministério do Turismo voltada ao planejamento das regiões de fronteira brasileiras.
Em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o ministério lançou um edital para contratar uma empresa responsável por elaborar diagnósticos e planos de ação para o desenvolvimento turístico nas divisas brasileiras.
No Sul do país, o estudo contempla as fronteiras do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina com Argentina e Uruguai.
O objetivo é identificar oportunidades e orientar investimentos capazes de melhorar a infraestrutura turística, fortalecer a governança e estimular o desenvolvimento sustentável dessas regiões.
O levantamento também deve ajudar a transformar a cooperação institucional entre Brasil e Uruguai em projetos concretos.
A fronteira gaúcha ganha importância especial nesse planejamento por ser a principal porta de entrada terrestre de turistas internacionais no Brasil.
A integração pode permitir que destinos próximos sejam apresentados como partes de uma mesma experiência turística, em vez de dependerem exclusivamente de viagens concentradas em um único país.
“Queremos oferecer experiências cada vez mais qualificadas aos visitantes e consolidar as regiões de fronteira como destinos integrados e competitivos”, afirmou Gustavo Feliciano.
Turismo internacional aumenta pressão por novos destinos
A iniciativa acontece em um momento de crescimento do turismo internacional no Brasil.
Em 2025, o país recebeu 9,2 milhões de visitantes estrangeiros, segundo os dados apresentados pelo Ministério do Turismo. O resultado foi o melhor da série histórica.
O cenário também aparece nos números do primeiro semestre. Entre os primeiros seis meses de 2025 e de 2026, o Brasil ultrapassou a marca de 5 milhões de chegadas internacionais.
O desempenho ficou acima dos 3,5 milhões contabilizados no mesmo período de 2024 e dos 3,2 milhões registrados em 2023.
Com o aumento da entrada de estrangeiros, a integração com países vizinhos pode ampliar a permanência dos visitantes e estimular viagens que combinem diferentes destinos da América do Sul.
A cooperação também ganha força no turismo de cruzeiros.
Nesta sexta-feira (7), Gustavo Feliciano participa do XI Encontro Regional de Cruzeiros e Turismo Náutico-Fluvial, em Punta del Este.
Durante o encontro, o ministro defende uma atuação conjunta dos países sul-americanos para ampliar a competitividade da região no mercado internacional de cruzeiros.
A ideia é estimular roteiros que permitam ao turista conhecer mais de um país durante a mesma viagem.
“Queremos que um visitante estrangeiro enxergue a possibilidade de conhecer vários países em uma mesma viagem. Precisamos estimular roteiros combinados, facilitar a circulação de turistas e ampliar a conectividade marítima”, afirmou.

O Brasil atualmente lidera o mercado sul-americano de cruzeiros.
Na temporada 2024/2025, a atividade movimentou R$ 5,43 bilhões na economia brasileira e gerou aproximadamente 84,6 mil postos de trabalho.
O país recebeu 838.096 cruzeiristas, segundo maior resultado de toda a série histórica. Desse total, 85,3% eram brasileiros e 14,7% estrangeiros.
Entre os estrangeiros que embarcaram na costa brasileira, os argentinos representaram 68%. Os uruguaios ficaram em segundo lugar, com 10%, seguidos pelos chilenos, com 7%.
Italianos, com 5%, e norte-americanos, com 4%, completaram o grupo dos principais mercados internacionais.
O setor também apresentou impacto econômico expressivo. Segundo o levantamento citado pelo Ministério do Turismo, cada R$ 1 investido pelas empresas de cruzeiros gerou R$ 4,05 em movimentação econômica no país.
A expectativa para o turismo de cruzeiros continua positiva.
Na temporada 2026/2027, a previsão é de oito navios operando na costa brasileira, com capacidade total de 831.254 leitos.
O número representa aumento de aproximadamente 24% em relação à temporada anterior.
Estão previstos 190 roteiros e 675 escalas, conectando portos brasileiros a destinos como Buenos Aires, Montevidéu e Punta del Este.
A integração entre esses destinos reforça justamente a estratégia defendida pelo Ministério do Turismo em Punta del Este: fazer com que a viagem pela América do Sul seja planejada como uma experiência regional.
“Há boas práticas sendo desenvolvidas em toda a região, que podem ser compartilhadas e adaptadas às diferentes realidades dos nossos países. Temos um patrimônio natural extraordinário, que faz da América do Sul uma das regiões mais promissoras do mundo para o turismo de cruzeiros”, destacou Feliciano.
O ministro também afirmou que o Brasil pretende contribuir para uma agenda regional de cooperação no setor.
Com o novo memorando entre Brasil e Uruguai, a estratégia passa a envolver não apenas o turismo marítimo, mas também a criação de rotas terrestres, experiências integradas, promoção conjunta e maior conexão entre destinos de fronteira.
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