A Associação Cultural e Recreativa dos Naturais e Amigos do Oio-Guiné-Bissau assinalou, no passado fim de semana, o seu 23.º aniversário com mais uma edição do Convívio Anual dos Guineenses em Portugal, que decorreu na Mata Rainha Dona Leonor, nas Caldas da Rainha. O programa incluiu um piquenique, uma exposição etnográfica, animação cultural e um debate dedicado ao tema da integração dos imigrantes em Portugal.
A associação nasceu em 2003 com o objetivo de apoiar os cidadãos guineenses que chegavam a Portugal, numa altura em que a integração colocava diversos desafios. A obtenção de documentação, o acesso ao emprego, à saúde e à educação estavam entre as principais dificuldades identificadas.
“Na altura, a integração dos imigrantes já era um problema. Criámos a associação precisamente para ajudar nesse processo de integração e também na obtenção de toda a documentação necessária”, explicou Augusto Mansoa, presidente da associação e cirurgião no Hospital das Caldas da Rainha.
Ao longo destes 23 anos, a associação atravessou diferentes fases. A crise económica de 2008 levou muitos dos associados a procurar melhores oportunidades noutros países europeus, reduzindo a atividade da estrutura associativa. Ainda assim, manteve-se ativa através de encontros regulares e da realização de iniciativas culturais, como a que decorreu no fim de semana.
Apesar das dificuldades, Augusto Mansoa considera que a realidade da integração tem evoluído de forma desigual. “Portugal já teve bons momentos de integração. Agora está a passar por alguma dificuldade”, afirmou, apontando o aumento do extremismo e os problemas relacionados com a regularização documental de alguns imigrantes. Ainda assim, sublinha que, entre os associados, “estão praticamente todos integrados e documentados”.
Mais do que organizar eventos, a associação mantém uma atividade contínua de apoio à comunidade. Entre as iniciativas promovidas ao longo do ano estão o acompanhamento de associados com problemas de saúde, encontros periódicos entre famílias e até apoio em situações de maior fragilidade social.
“Se alguém tem alguma dificuldade, nós estamos lá para ajudar”, resumiu Augusto Mansoa, acrescentando que a associação chega mesmo a assumir despesas funerárias de familiares diretos de associados quando estes não têm condições económicas para o fazer.
Atualmente, a associação conta com cerca de 600 elementos, embora muitos residam atualmente fora de Portugal. Ainda assim, mantém-se o contacto e a ligação entre os membros espalhados por vários países.
A realização do convívio contou com o apoio da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, que disponibilizou o espaço e apoio logístico e financeiro. Augusto Mansoa fez questão de deixar um agradecimento ao Município, considerando que a autarquia “tem sido incansável” no apoio prestado à associação.
O dirigente disse também que o JORNAL DAS CALDAS “tem sido um parceiro”, afirmando que desde que começaram, acompanhou sempre a atividade da associação. “Se forem ver o histórico do jornal, há muita coisa sobre a nossa associação”, rematou.
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