O desejo de servir ao próximo e fazer a diferença na vida de outras pessoas levou um grupo de 40 colaboradores da Educação Adventista e da sede administrativa da Igreja Adventista na região sul do Rio Grande do Sul a enfrentar uma viagem de 12 horas até Montevidéu, no Uruguai. No país vizinho, os voluntários participaram da limpeza de um galpão desativado e da revitalização da pintura de outras duas igrejas.
A iniciativa fez parte da Mission Trip 2026, realizada entre os dias 28 de junho e 5 de julho. Divididos em equipes, os participantes atuaram em diferentes frentes como jardinagem, limpeza, remoção de entulho e pintura. Um dos espaços atendidos foi um antigo galpão industrial adquirido para abrigar uma nova igreja. A ação do tempo e a falta de manutenção deixaram o imóvel praticamente irreconhecível.
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Nesse contexto, a dedicação dos voluntários contribuiu para transformar o prédio e também as outras duas igrejas contempladas pelo projeto missionário. Para Edy Gomes, ancião da Igreja Adventista de Paso de la Arena, a presença dos missionários brasileiros representou uma resposta direta às suas orações. Segundo ele, o trabalho realizado servirá de incentivo aos membros locais, que enfrentam desafios e necessitam de apoio para fortalecer a missão.

“Nós nos sentimos muito abençoados pela vinda de vocês. Essa é uma forma de motivar a igreja a trabalhar em favor do próximo. Nossa comunidade se sentiu amada e valorizada pela presença e pelo serviço prestado. Nossa expectativa é que mais pessoas aceitem o desafio de participar de ações missionárias e se tornem uma bênção para outras pessoas”, declarou Gomes.
O diretor financeiro da Associação Sul do Rio Grande do Sul (ASRS), Edson Erthal, explicou que os líderes locais destinaram o galpão e a igreja de Paso de la Arena para que a equipe atuasse durante uma semana. No entanto, o empenho e a disposição dos voluntários permitiram que o cronograma fosse concluído antes do previsto. “Saímos daqui muito felizes ao perceber o compromisso e a dedicação do grupo, que desempenhou com tanto carinho um trabalho diferente daquele que realiza diariamente, mas extremamente necessário”, afirmou Erthal.

O pastor Homero Nascimento, líder do Ministério Jovem da ASRS e um dos organizadores da Mission Trip, destacou o comprometimento dos missionários durante a atuação no Uruguai. Segundo ele, além das atividades práticas, muitos vivenciaram o método de Cristo para alcançar pessoas, aproximando-se delas por meio do serviço e do amor.
“Vejo uma equipe muito disposta a servir, ajudar, quebrar paredes, carregar materiais e, principalmente, compreender melhor o contexto cultural, entender como a igreja atua aqui e aprender quais estratégias e métodos têm produzido resultados positivos. Essa é uma característica do evangelho: alcançar cada pessoa em sua realidade”, ressaltou Nascimento.

Desafios e oportunidades
De acordo com o pastor Paulo Lopes, presidente da União Uruguaia, sede administrativa da Igreja Adventista, o país reúne alguns dos melhores indicadores de qualidade de vida da América do Sul, mas esse cenário também apresenta desafios para o avanço da missão adventista. Com um dos mais altos custos de vida do continente, população reduzida e em declínio demográfico, ele enfrenta uma realidade que influencia diretamente o crescimento da igreja. O líder revela que, atualmente, morrem mais pessoas do que nascem no território uruguaio, o que contribui para o envelhecimento da população e reduz o potencial de expansão das congregações, especialmente no interior.
Outro fator que marca o contexto uruguaio é o forte caráter laico do Estado e a elevada presença de ateus e agnósticos. Embora muitos uruguaios afirmem acreditar em Deus, grande parte demonstra resistência às instituições religiosas e evita vínculos formais com igrejas. “Os uruguaios não são fechados à espiritualidade. Mas eles são fechados às instituições religiosas”, destaca Lopes. Esse cenário exige abordagens missionárias contextualizadas e diferentes das adotadas em outros países sul-americanos.
Mesmo com 130 anos de presença adventista no país, a igreja permanece pequena se comparada a outras regiões da América do Sul. Embora o cadastro registre pouco mais de 7 mil membros, a frequência ativa é inferior a 5 mil pessoas. Além do ambiente secularizado, a igreja também sofre os efeitos da migração de líderes e jovens em busca de melhores oportunidades no exterior, fenômeno impulsionado pelo alto custo de vida e pelas limitações do mercado de trabalho local.
Diante desses desafios, a Igreja Adventista tem investido em estratégias diversificadas para ampliar sua presença missionária. Centros de influência, emissoras de rádio, evangelismo digital, pequenos grupos e ações de discipulado fazem parte do plano para alcançar novos públicos e fortalecer as novas gerações. Apesar das dificuldades demográficas e culturais, a liderança avalia que os resultados são encorajadores, com índices de batismos comparáveis aos de outras regiões do Sul do Brasil, evidenciando o impacto de um trabalho missionário contínuo e adaptado à realidade uruguaia.

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