Vini Jr salva Brasil em começo de Copa marcado por atuações individuais esquecíveis e escolhas ruins de Ancelotti; análise

A principal aposta do Brasil para a Copa do Mundo não é Vini Jr., nem Raphinha, nem Neymar. É Carlo Ancelotti e toda sua experiência de quem já venceu cinco vezes a Champions League. Mas, novato em Mundiais, o treinador não fez boa estreia. Menos pelo placar, já que o 1 a 1 contra Marrocos pelo Grupo C, nos dias de hoje, é um resultado esperado para as duas seleções. O problema foi a performance, já que o time e o esquema escolhidos pelo italiano não passaram no grande teste da fase de grupos.

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Chamaram a atenção também os muitos destaques negativos individuais. A estreia foi desastrosa para Ibañez, Gabriel Magalhães e Casemiro. Um pouco menos má, mas ainda fraca: Paquetá e Igor Thiago. Em meio a tantas decepções, a boa notícia foi Vini Jr. Sempre tão cobrado a fazer a diferença, ele livrou o Brasil da derrota. Mas não pode jogar sozinho. Resta saber se Ancelotti aprenderá com as lições. O próximo jogo é contra o Haiti, sexta-feira, na Filadélfia.

— Eu esperava começar melhor. Mas pode passar (a atuação), porque Marrocos é uma boa equipe. Agora é melhorar no próximo jogo — admitiu Ancelotti na saída de campo à TV Globo. — Um pouco de ansiedade. No primeiro tempo, eles saíram da pressão e fizeram transições perigosas. Então poderíamos ter tido mais controle.

Toda a expectativa e ansiedade da torcida pela estreia do Brasil no Mundial se transformaram em tensão quando a bola rolou. Quase tudo deu errado para o time de Ancelotti, acuado nos primeiros 15 minutos pelos marroquinos, que fizeram uma marcação muito eficiente em seu campo e infernizaram a defesa verde e amarela com seus ataques em velocidade muito bem ensaiados.

Na direita, Ibañez pareceu ter sentido a estreia numa Copa do Mundo. Toda a segurança mostrada nas últimas partidas (já tendo atuado improvisado na direita no amistoso contra a Croácia, inclusive) ficou para trás. Na marcação, levou a pior nas disputas e precisou apelar para faltas.

Estranhamente, Ancelotti armou um esquema em que, mesmo sem segurança na função, Ibañez era quem mais avançava pelo lado direito do ataque. Em alguns momentos, o time tinha ele aberto por ali e Vini do outro. Obviamente, não deu certo. Só deixou o corredor mais exposto quando a equipe perdia a bola.

Em seu primeiro jogo depois da perda do pênalti decisivo na final da Champions pelo Arsenal, Gabriel Magalhães estava nitidamente fora de rotação. Rebatidas e cortes mal executados e dificuldade para acompanhar os atacantes rivais marcaram seu primeiro tempo.

Não à toa, os dois, Ibañez e Magalhães, foram personagens do gol marroquino. O primeiro errou o passe para Lucas Paquetá, que deu contra-ataque para o rival. Muito bem na função de falso 9, Ismael Saibari aproveitou a falha do camisa 3, avançou por entre a zaga e encobriu Alisson, aos 21 minutos do 1º tempo.

O próprio Paquetá também começou muito abaixo do esperado. Além de ter perdido a bola no lance do gol marroquino, marcou mal e deu muitos espaços para o rival avançar pelo centro do campo. Não foi o único. Casemiro não conseguiu acompanhar as investidas do adversário e precisou recorrer às faltas.

A dupla de meias deixou a desejar tanto sem quanto com a bola. Não achou espaços, fazendo com que os atacantes fossem pouco acionados. Bruno Guimarães era o oposto deles. Mas estava sozinho no setor.

Vini Jr. era o único escape do Brasil. O atacante não se intimidou com a marcação dupla (às vezes tripla) pela esquerda. Encarou, driblou, cruzou para os companheiros e finalizou quando deu. E que chute. Aos 30 minutos, recebeu de Bruno, caiu para dentro da grande área e soltou uma bomba cruzada sem chances de defesa para Bono.

O camisa 7 mostrou o que era sua expressão fechada na véspera da estreia: concentração. Entrou chamando o jogo para si. Em alguns momentos, convocou a torcida a apoiar o time. Segurou o primeiro tempo ruim quase sozinho (com a colaboração de Bruno Guimarães e de Douglas Santos, que assumiu bem o lado esquerdo e segurou Hakimi).

Mas os três não teriam como dar conta do jogo inteiro sozinhos. Antes do intervalo, Ancelotti já consertara alguns problemas ao recuar Casemiro e colocar Bruno e Paquetá como uma dupla de meias (o primeiro pela direita e o segundo pela esquerda). O Brasil passou a rondar mais a área marroquina.

No segundo tempo, a saída dos que iam muito mal, por si só, já ajudou a melhorar o time. As entradas de Danilo, Luiz Henrique, Matheus Cunha e, principalmente, de Fabinho fizeram o Brasil ganhar mais as disputas no meio-campo e passar a atacar também pela direita.

O Brasil da etapa final esteve longe de ser o ideal. Mas, ainda que não tenha balançado as redes, saiu-se melhor. Mais seguro, cedeu apenas duas finalizações aos marroquinos (haviam sido 12 antes do intervalo). E criou mais (foram sete chutes a gol, contra seis do time dos primeiros 45 minutos). Mas com outra proposta. Em vez da progressão de pé em pé, apostou mais nas bolas verticais — o que é compreensível, dado o número menor de meias e o cansaço e o calor acumulados.

O maior problema foi a qualidade das conclusões. Sem Igor Thiago, que abusara dos erros, Raphinha passou a exercer a função de falso 9. Embora participativo, pecou nas escolhas, o que só chama a atenção para a escolha de Ancelotti por não usar Endrick. Mais uma decisão que precisará ser revista para a segunda rodada.

— A ideia foi bem clara daquilo que o professor pediu para fazermos dentro de campo. Tentamos o nosso melhor, faltou um pouco mais de concentração. Agora é levantar a cabeça e seguir em frente — analisou Igor Thiago.

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