Sintomas do paciente Brasil na política fiscal são ‘muito preocupantes’, diz Armínio Fraga

O ex-presidente do Banco Central (BC) Armínio Fraga afirmou nesta quarta-feira que os “sintomas” da política fiscal brasileira são graves. Segundo ele, o BC precisa de apoio para cumprir sua função.

— Não dá para o Banco Central funcionar se não tiver um apoio fiscal. O Banco Central não faz milagre — disse Fraga durante evento de comemoração pelos 60 anos da autoridade monetária, em Brasília.

Para ele, a emissão de títulos do Tesouro Nacional de vencimento em 30 anos e que remuneram a variação da inflação mais 7% prejudica a sustentabilidade da dívida pública.

— Hoje o governo brasileiro toma dinheiro emprestado a 30 anos pagando IPCA mais 7,5% ou mais. Não é uma política cíclica que procura corrigir um desvio da inflação da meta, que leva tipicamente dois anos mundo afora. Não é isso, são 30 anos, isso não é viável, acho que a gente está enfiando a cabeça na areia e nós aqui no Banco Central a gente vai até um certo ponto, mas isso não é funcional.

O ex-presidente do BC também defendeu que a teoria econômica preza pela importância da política fiscal. Ele foi presidente da autoridade monetária entre 1999 e 2022, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

— A gente está enfiando a cabeça na areia. Nós aqui no Banco Central, vamos até certo ponto. É preciso que haja sustentabilidade fiscal, se não nem o Banco Central consegue. Milagre a gente não faz — completou.

O evento desta quarta também contou com a presença de ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como Fernando Haddad (Fazenda), Luiz Marinho (Trabalho), Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública) e Simone Tebet (Orçamento e Planejamento).

Antes da fala de Fraga, Simone Tebet discursou no evento e fez um apelo para que o Banco Central reduza a taxa básica de juros, a Selic, que está atualmente em 14,25% ao ano e deve subir em maio.

— Sei que é uma tarefa árdua, mas vamos conseguir num médio prazo, nos próximos 60 dias tudo caminhando bem, como acredito que irá, começar a ter uma diminuição dos preços, especialmente dos alimentos, para que o Banco Central, quem sabe, um pouquinho antes do imaginado, com a autonomia do Banco Central, podemos pensar no segundo semestre em diminuir um pouco a taxa de juros — afirmou.

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