Reservas internacionais de Moçambique voltam a crescer após recuo do pagamento ao FMI


Estas reservas – divisas em moeda estrangeira necessárias à importação de bens e serviços – vinham crescendo todos os meses desde setembro, até atingirem o máximo histórico de 4.258 milhões de dólares (3.733 milhões de euros) em fevereiro, conforme o histórico do mais recente relatório estatístico do Banco de Moçambique.


Contudo, recuaram 18% em março, para 3.486 milhões de dólares (3.057 milhões de euros), e voltaram a cair em abril, quase 1%, para 3.470 milhões de dólares (3.042 milhões de euros). A tendência foi invertida em maio, com um crescimento das reservas equivalente a 1% num mês.


O Ministério das Finanças de Moçambique confirmou anteriormente que fez uma “amortização integral e antecipada” de 698.587.604 dólares (630 milhões de euros) em 23 de março, liquidando financiamentos contraídos no âmbito do Fundo para a Redução da Pobreza e o Crescimento (PRGT), do Fundo Monetário Internacional (FMI), com recurso a RIL do país.


O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, afirmou em 25 de maio que a decisão do Governo de antecipar o pagamento integral de 630 milhões de euros de dívida ao FMI não afetou as contas da instituição, “pelo contrário”.


“O Banco de Moçambique não ficou mais fraco, débil e vulnerável por causa desta decisão. Até diria o contrário. Hoje estamos seguros, em função de certos riscos que se estavam a ver, estamos bem melhores do que estaríamos se não tivéssemos tomado esta decisão”, afirmou, questionado pelos jornalistas.


“Continuamos com um nível de reserva extremamente confortável. Está hoje praticamente a cinco meses de importação, que é bem alto, então isso não enfraqueceu. Quando se fez, estávamos numa posição, e continuamos, numa posição extremamente confortável”, respondeu Zandamela, sobre o impacto do recurso às RIL para antecipar esse pagamento e não relativamente a outro endividamento.


“O mais importante aqui, para nós, como Banco de Moçambique, como custódia destas reservas, a decisão – quero repetir bem forte – de termos pago o FMI, de modo nenhum enfraqueceu o balanço do Banco de Moçambique”, enfatizou.


O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, classificou na altura como “corajosa” a decisão de liquidar total e antecipadamente a dívida de 630 milhões de euros ao FMI, recorrendo às reservas.


“Esta corajosa decisão deve ser vista de forma positiva e estratégica, como um sinal inequívoco da responsabilidade macroeconómica e do reforço da estabilidade internacional de Moçambique. E porque, igualmente, a dignidade de um povo não tem preço”, disse Chapo.


O volume anterior destas reservas garantia a cobertura de mais de cinco meses de importações de bens e serviços. Contudo, face às queixas de falta de divisas na banca por parte dos empresários, fonte do Governo moçambicano ouvida pela Lusa em março já tinha admitido estar em estudo a possibilidade de baixar esse nível de reservas.


Apesar do volume das RIL, os empresários continuavam a queixar-se de dificuldades no acesso a moeda estrangeira para importações. A situação foi descrita em novembro pelo presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA) de Moçambique, Álvaro Massingue, como uma “emergência económica”.


“A escassez de divisas é hoje uma emergência económica. Sem moeda externa, as empresas não importam matérias-primas, não cumprem contratos e não crescem”, afirmou então Massingue.

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