quem é presidente do Paraguai alvo da Abin

A Presidência do Paraguai, comandada desde agosto de 2023 por Santiago Peña, foi um dos alvos da ação hacker organizada pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência), segundo o colunista do UOL Aguirre Talento. A eleição do economista manteve o Partido Colorado no poder.

O que aconteceu

Peña é um conservador de 46 anos que foi eleito com apoio do ex-presidente Horacio Cartes (2013-2018). Ele é o governante mais jovem da era democrática do Paraguai e é considerado um pragmático com uma carreira acadêmica de sucesso, mas pouca experiência política.

Estudou economia na Universidade Católica do Paraguai e fez mestrado na Universidade de Colúmbia (Nova York). Em sua experiência internacional, trabalhou no departamento para a África do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington.

Entre 2000 e 2009, Peña foi funcionário do Banco Central. Em 2012, integrou a direção da instituição e, em 2014, foi nomeado ministro da Fazenda por Cartes, que o fez se filiar ao Partido Colorado. A legenda domina a vida política do Paraguai desde o século XIX.

Para atacá-lo, seus adversários se referem a ele como “secretário de Cartes”, o que parece não o afetar. “É alguém muito sereno, impressiona sua tranquilidade”, disse à AFP um dos seus assessores.

Família tradicional

Filho do economista José María Peña e da argentina Ana María Palacios, o novo presidente é o mais novo de três irmãos. É casado com Leticia Ocampos, com quem teve seu primeiro filho, Gonzalo, antes de completar os 18 anos. O casal também tem uma filha, Costanza, de 16.

Conservadorismo nos costumes. É contra o aborto por considerá-lo um “atalho” e também rejeita o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O presidente paraguaio também é contra linguagem neutra. Pouco antes da eleição, apoiou a rejeição do Congresso de uma doação de 38 milhões de euros (cerca de R$ 234 milhões) para um projeto educacional, por utilizar a linguagem.

Não se pode suscitar na criança, desde cedo, que quem quer ser menino se sente menino e quem se sente menina é menina. Não. A rede escolar não pode mudar isso (…) Valorizamos quando alguém vem doar dinheiro, mas o dinheiro não pode condicionar nosso estilo de vida e nossas crenças Presidente do Paraguai, Santiago Peña

Hegemonia do Partido Colorado

O Partido Colorado domina o Paraguai há mais de 70 anos. Somente durante quatro anos, entre 2008 e 2012, a sigla ficou fora do poder.

Santiago Peña derrotou nas eleições Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autêntico. A sigla liderou uma coligação de vários partidos opositores, da direita à esquerda, com o propósito de vencer a sigla conservadora.

Os colorados também conquistaram a maior votação no Congresso. Eles ocuparam 23 dos 45 assentos no Senado, e 48 das 80 cadeiras na Câmara dos Deputados. Dos 17 governos estaduais, 14 ficaram com o partido.

Ação hacker

A Abin, sob o atual governo Lula (PT), executou uma ação hacker contra autoridades do governo do Paraguai. O planejamento da operação de espionagem teve início ainda na gestão da agência durante o governo Bolsonaro (PL), mas a ação foi executada com a autorização do atual diretor da Abin de Lula, Luiz Fernando Corrêa.

O UOL apurou que a ação invadiu computadores para obter informações sigilosas sobre à negociação de tarifas de Itaipu. A usina hidrelétrica é objeto de disputa comercial entre os dois países há muitos anos.

A ação foi descrita em detalhes em depoimento, obtido pelo UOL, prestado à PF por um servidor da Abin que participou diretamente da ação. Um segundo agente da Abin também relatou à PF a existência da operação. A reportagem ainda confirmou os fatos com uma terceira pessoa que teve acesso a informações detalhadas da ação.

Os alvos seriam autoridades relacionadas diretamente à negociação e aos valores a serem cobrados por megawatt, disse o agente. “Foram invadidos o Congresso paraguaio, Senado, Câmara e Presidência da República”, revelou.

O governo do Paraguai anunciou ontem que decidiu convocar de volta ao país seu embaixador no Brasil, Juan Ángel Delgadillo. Os paraguaios pedem explicações detalhadas ao governo brasileiro sobre a ação hacker.

*com informações da AFP e RFI

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