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Sputnik – O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou nesta sexta-feira (4) que a suposta espionagem digital ordenada pelo Brasil contra instituições-chave do governo paraguaio “reabre velhas feridas” e reacende o “ódio e ressentimento” em relação ao país vizinho.
“O Paraguai tem uma história bastante dura na região. Em um momento de nossa história, enfrentamos uma guerra de extermínio, a Guerra da Tríplice Aliança, contra três irmãos: Uruguai, Argentina e Brasil. Foi liderada principalmente pelo Brasil, que ocupou território paraguaio por quase uma década. E esse episódio de espionagem reabre velhas feridas. Queremos deixar para trás essa história de ódio e ressentimento contra o Paraguai, mas percebemos que ela ainda existe”, declarou Peña em entrevista à rede argentina Radio Mitre.
Em suas primeiras declarações públicas sobre o caso, Peña classificou o episódio como “uma notícia bastante desagradável”.
O Paraguai também chamou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes, e enviou uma nota oficial exigindo esclarecimentos sobre o ocorrido.
“Vemos esse episódio com grande preocupação, porque não condiz com o tipo de relação que queremos ter com os países da região: uma relação de amizade, de parceria, que nos permita construir um Mercosul mais forte. Infelizmente, estamos nesse impasse”, afirmou o presidente.

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Peña também revelou que, durante seu governo, iniciado em agosto de 2023, o Ministério de Tecnologias da Informação e Comunicação detectou um ataque cibernético originado da China, incidente no qual os EUA ofereceram ajuda significativa ao Paraguai.
“Mas nunca imaginaríamos que seríamos alvo de espionagem por parte de nossos irmãos, nossos vizinhos brasileiros”, lamentou.
Segundo o Itamaraty, a operação “foi autorizada pelo governo anterior” em junho de 2022 e cancelada pelo diretor interino da Abin em 27 de março de 2023, “assim que a atual gestão de Lula tomou conhecimento dos fatos”.
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