População do Haiti vive “medo, trauma e exaustão”, diz coordenadora da ONU

Membros de uma família haitiana retornam da República Dominicana carregando os poucos bens que possuem – Crédito: Membros de uma família haitiana retornam da República Dominicana carregando os poucos bens que possuem

A representante especial da ONU no Haiti, Ulrika Richardson, apresentou nesta quinta-feira o novo plano de resposta humanitária para o país.


Falando a jornalistas, ela ressaltou que a crise causada pela violência de gangues é “sem precedentes” e que cada número apresentado sobre a situação humanitária constitui “um novo recorde”.


Deslocamento triplicaram


Por trás das estatísticas, existe um “sofrimento imenso” da população. Segundo ela, é muito doloroso ouvir os testemunhos das vítimas de atos criminosos, repletos de “medo, trauma e exaustão”.


Ulrika Richardson disse que as gangues atacam os bairros da capital Porto Príncipe com muita violência, o que levou mais de 1 milhão de haitianos a fugir de suas casas, o triplo em comparação ao ano passado.


Segundo ela, essas casas, na maioria das vezes, foram invadidas ou queimadas pelos bandidos. Os grupos criminosos também forçam as crianças a ingressar em suas fileiras em troca de comida, sendo obrigadas a praticar “atos horríveis”.


A representante especial destacou ainda a preocupação com a enorme quantidade de haitianos tentando sair do país e correndo grande risco durante o trajeto, uma vez que os bandos criminosos também controlam as rodovias.


Apesar do perigo, cerca de 400 mil pessoas fugiram do Haiti no ano passado. A ONU apelou aos países para não deportar os haitianos que estão passando por essa situação.


Cena do cotidiano ao lado do bebedouro dentro do local de deslocamento da Escola Jean Marie Césard, Porto PríncipeCena do cotidiano ao lado do bebedouro dentro do local de deslocamento da Escola Jean Marie Césard, Porto Príncipe – Foto: Unicef/UNI701716/Jean


Necessidade de 900 milhões para ajuda humanitária


Ulrika Richardson lembrou que o plano de resposta humanitária, de 2024, foi orçado em US$ 600 milhões, dos quais 43% foram obtidos. Os Estados Unidos financiaram cerca de 60% do apelo.


Nesse sentido, ela declarou que “o congelamento temporário e a ordem de interrupção do trabalho” do governo norte-americano têm um impacto relevante.


Para este ano, o plano pede cerca de US$ 900 milhões. Apesar do cenário incerto a representante da ONU disse estar confiante de que é possível mobilizar esse valor.


Para ela, uma questão central é oferecer oportunidades aos jovens no Haiti para que deixem de ser envolver com atividades criminosas, em meio a um contexto de alto desemprego e com a economia no sexto ano consecutivo de crescimento negativo.


Proposta de reforço da Missão Multinacional


Em carta enviada na segunda-feira para o Conselho de Segurança, o secretário-geral da ONU, António Guterres, propôs caminhos para aumentar o poder operacional e a eficiência da Missão Multinacional de Apoio à Segurança no Haiti, MSS.


O porta-voz de Guterres, Stephane Dujarric, explicou que a intenção é criar uma missão da ONU que forneça apoio logístico para a MSS.


Ele adicionou que para o líder das Nações Unidas, o envio de uma força de manutenção da paz da ONU para um local onde não há paz para manter “não é a resposta certa”. O caminho, segundo a carta, é prover mais financiamento, recursos humanos e equipamentos para a MSS.


Respondendo a jornalistas, Ulrika Richardson disse que a Missão Multinacional estava em uma fase de pré-desdobramento, mas agora com 800 policiais no terreno, um número próximo da meta de mil agentes, será iniciada uma nova fase.


Ela relatou um aumento de operações conjuntas da MSS com a Polícia Nacional e disse esperar que essa tendência se intensifique.


Gangues preencheram vazio deixado pelo Estado


Em uma entrevista recente em Genebra, o especialista em direitos humanos da ONU no Haiti, William O’Neill, disse que há uma enorme impunidade para o crime, em parte devido à corrupção e à má governança.


Para ele, isso levou as pessoas a terem muito pouca confiança nas instituições e como quase não há presença do Estado, “as gangues preencheram esse vazio”, especialmente nas áreas pobres de Porto Príncipe.


Quase metade dos membros da gangue são adolescentes que afirmam que não têm escolha em um país onde não há empregos e suas famílias passam fome.

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