Peugeot muda comando na América do Sul e terá liderança compartilhada com Citroën | Mecânica Online®| 26 anos

A mudança no comando da Peugeot vai além de uma simples troca de executivo. Pedro Silva, atual responsável pela Citroën, passa a liderar também a marca do leão na América do Sul. A nova estrutura aproxima a gestão das duas francesas justamente em um momento em que a Peugeot busca ganhar escala, fortalecer o 2008 e sustentar identidade própria dentro do amplo portfólio da Stellantis.

A Peugeot terá novo comando na América do Sul. A Stellantis anunciou que Pedro Silva passa a ser Head da marca para a região, sucedendo Fabiana Figueiredo.

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A principal particularidade da mudança é que Pedro continuará à frente da Citroën, função que exerce desde 2025, acumulando agora a responsabilidade pelas duas marcas francesas da Stellantis na América do Sul.

Mais do que uma alteração administrativa, a decisão aproxima a gestão de Peugeot e Citroën em áreas como estratégia comercial, produto, posicionamento e leitura do mercado regional.

O desafio será explorar as sinergias existentes dentro do grupo sem apagar as diferenças que justificam a existência das duas marcas.

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Peugeot passa a dividir liderança com Citroën

A nova configuração coloca Peugeot e Citroën sob o comando do mesmo executivo.

Isso não significa necessariamente uma fusão das operações ou das identidades das marcas.

Peugeot e Citroën possuem posicionamentos distintos e precisam continuar sendo percebidas dessa forma pelo consumidor.

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A Peugeot trabalha hoje com uma imagem mais associada a design, refinamento e experiência de condução, enquanto a Citroën vem buscando ampliar sua presença com uma proposta de maior acessibilidade e soluções voltadas a conforto e praticidade.

A concentração da liderança pode facilitar decisões conjuntas, mas aumenta a importância de manter uma separação clara entre os territórios comerciais das duas marcas.

Pedro Silva acumula quase 20 anos de indústria

Pedro Silva possui quase duas décadas de experiência no setor automotivo.

Sua trajetória dentro do grupo começou em 2008, ainda na FCA, e inclui passagens por diferentes áreas.

O executivo trabalhou com Compras, Planejamento e Estratégia de Produto, Engenharia, Supply Chain e Marketing de Produto.

Essa diversidade é particularmente relevante para a função atual.

Comandar uma marca automotiva não envolve apenas publicidade ou vendas. Exige compreender custos, engenharia, posicionamento de produto, capacidade industrial, logística e comportamento do mercado.

Experiência com Fiat e Jeep antecede Peugeot

Em 2021, Pedro assumiu a gerência de Marketing de Produto da Fiat.

Três anos depois, em 2024, tornou-se diretor de Marketing de Produto da Jeep.

A passagem por duas marcas de grande peso dentro da Stellantis acrescenta experiência em cenários bastante diferentes.

A Fiat trabalha essencialmente com grande volume e ampla cobertura de mercado, enquanto a Jeep concentra sua presença em SUVs e possui posicionamento superior em determinadas faixas.

Agora, Pedro terá de aplicar essa experiência a Peugeot e Citroën, duas operações que precisam crescer sem entrar em uma disputa excessiva entre si.

Peugeot vive fase importante de reconstrução de volume

A mudança ocorre em um momento estratégico para a Peugeot no Brasil e na América do Sul.

A marca vem tentando aumentar sua relevância dentro do grupo depois de ciclos marcados por volumes menores do que os alcançados pelas principais operações da Stellantis.

No Brasil, a recente renovação de produtos passou a exercer papel central nessa recuperação.

O Peugeot 208 continua sendo a porta de entrada da marca, enquanto o Novo Peugeot 2008 busca aumentar a presença no segmento de SUVs compactos.

A Peugeot encerrou setembro em crescimento, avançando 28% sobre agosto, enquanto o 2008 registrou alta de 31% no período.

Isso significa que Pedro Silva assume uma marca que já apresenta sinais de recuperação, mas que ainda precisa transformar crescimento mensal em ganho consistente de participação.

Novo 2008 é peça importante da estratégia

Entre os produtos, o Peugeot 2008 possui papel especialmente importante.

O segmento de SUVs compactos é um dos maiores e mais disputados do mercado brasileiro.

Ter um produto competitivo nessa categoria permite à marca acessar um universo de consumidores muito superior ao encontrado em nichos menores.

Ao mesmo tempo, a disputa é intensa.

Praticamente todas as grandes fabricantes possuem modelos nessa faixa, e a chegada de novas marcas chinesas aumentou a pressão sobre preço, equipamentos, tecnologia e eletrificação.

Por isso, o crescimento recente do 2008 é relevante, mas sua sustentabilidade dependerá de uma combinação de produto, rede e posicionamento comercial.

208 continua necessário para gerar escala

O Peugeot 208 também permanece essencial.

Hatches compactos perderam espaço relativo para SUVs, mas continuam representando um mercado importante no Brasil, principalmente entre consumidores sensíveis a preço, consumo e custo de propriedade.

Para a Peugeot, o 208 cumpre ainda uma segunda função: introduzir novos clientes à marca.

A partir dele, a fabricante pode tentar manter esse consumidor dentro da gama conforme suas necessidades e poder de compra evoluem.

Nesse contexto, 208 e 2008 precisam funcionar como produtos complementares, não apenas como automóveis isolados.

Gestão compartilhada pode aumentar eficiência

Administrar Peugeot e Citroën sob uma mesma liderança pode trazer ganhos de eficiência.

As duas marcas já pertencem ao mesmo grupo, utilizam tecnologias compartilhadas e participam de uma estrutura industrial comum.

Uma liderança integrada pode facilitar decisões envolvendo:

Planejamento de portfólio, posicionamento de preços, utilização industrial, campanhas comerciais e distribuição de investimentos.

O benefício potencial está em evitar duplicação de esforços.

O risco aparece quando as estratégias se aproximam demais e os consumidores deixam de compreender claramente por que escolher um Peugeot em vez de um Citroën.

Diferenciação entre Peugeot e Citroën será decisiva

Esse talvez seja o maior desafio da nova estrutura.

Compartilhamento de plataformas e componentes é fundamental para reduzir custos em uma indústria que exige investimentos cada vez maiores.

O consumidor, entretanto, não compra uma plataforma.

Ele compra marca, design, acabamento, comportamento dinâmico, equipamentos, preço e experiência de propriedade.

Por isso, Peugeot e Citroën precisam transformar uma base técnica compartilhada em produtos com personalidades suficientemente diferentes.

Quanto maior a convergência de engenharia dentro da Stellantis, maior precisa ser a diferenciação percebida na ponta.

Stellantis possui escala para apoiar crescimento

Pedro Silva assume a Peugeot dentro de um dos maiores grupos automotivos da região.

A Stellantis lidera o mercado brasileiro e possui uma estrutura que inclui Fiat, Jeep, Ram, Peugeot, Citroën e outras operações.

Essa escala oferece algumas vantagens importantes.

A companhia pode compartilhar plataformas, motores, sistemas eletrônicos, fornecedores e capacidade fabril, reduzindo o custo necessário para desenvolver e produzir novos veículos.

Para Peugeot, essa estrutura pode ser especialmente importante na tentativa de crescer mantendo preços competitivos.

Ao mesmo tempo, pertencer a um grupo tão amplo significa disputar investimentos internos com marcas que possuem volumes muito superiores.

Fabiana Figueiredo deixa Peugeot para atuar com inteligência artificial

Fabiana Figueiredo, que até agora comandava a Peugeot na região, assume outra função dentro da Stellantis.

A executiva passa a responder por Business Transformation, dentro da diretoria de AI Transformation & Value Creation para a América do Sul.

A nova área faz parte da integração regional da companhia a uma estratégia global de inteligência artificial.

O trabalho será direcionado para transformação de negócios, inovação e geração de valor.

Fabiana acumula mais de 15 anos de experiência na indústria e possui passagens por Fiat, Jeep e Ram, envolvendo planejamento estratégico, marketing, branding e experiência do cliente.

Inteligência artificial também passa a ocupar espaço estratégico

A transferência de uma executiva com experiência em comando de marca para uma área ligada à inteligência artificial também é simbólica.

A tecnologia deixa de ser tratada apenas como ferramenta de software e passa a fazer parte das decisões estratégicas das fabricantes.

Na indústria automotiva, IA pode ser utilizada em áreas como desenvolvimento de produto, manufatura, logística, atendimento, previsão de demanda, manutenção, vendas e personalização da experiência do consumidor.

Portanto, a mudança de Fabiana representa também a criação de uma nova frente dentro da estrutura regional da Stellantis.

Mecânica Online® com Tarcisio Dias – A mudança mais importante no anúncio da Stellantis está na decisão de colocar Peugeot e Citroën sob a mesma liderança na América do Sul. Existem ganhos claros de eficiência possíveis, mas o sucesso dessa estrutura dependerá principalmente da capacidade de preservar a personalidade de cada marca.

Pedro Silva chega com uma trajetória particularmente adequada para esse desafio porque passou por áreas que vão de engenharia e supply chain a estratégia e marketing de produto. Essa visão transversal é importante num momento em que competitividade não depende apenas de lançar um carro atraente, mas de controlar custos, industrialização e posicionamento.

Para a Peugeot, a prioridade precisa ser transformar a recuperação recente em crescimento estrutural. 208 e 2008 são fundamentais porque atuam justamente nas categorias capazes de gerar escala, e o SUV assume importância ainda maior diante da preferência atual do consumidor brasileiro.

Ao mesmo tempo, dividir comando com Citroën exige disciplina de posicionamento. Se duas marcas utilizarem plataformas e mecânicas semelhantes, mas trabalharem preços e propostas muito próximas, uma pode acabar retirando clientes da outra. O ganho real para a Stellantis aparece quando Peugeot e Citroën conquistam consumidores diferentes.

A troca também chama atenção pelo novo destino de Fabiana Figueiredo. Sua passagem para uma área de AI Transformation & Value Creation mostra como inteligência artificial está entrando na estrutura executiva das fabricantes e deixando de ser apenas um assunto de tecnologia embarcada.

O desafio da Peugeot será bastante objetivo: utilizar a enorme escala da Stellantis sem perder a identidade que permite à marca justificar sua existência dentro do grupo.

Para acompanhar os novos produtos, estratégias e evolução da Peugeot no mercado sul-americano, siga @tarcisiomecanicaonline.

Retrovisor Mecânica Online® – Entenda o que está por trás da notícia

Novo comando: Pedro Silva assume como Head da Peugeot para a América do Sul.
Dupla função: o executivo continuará liderando também a Citroën, responsabilidade que exerce desde 2025.
Quase 20 anos: experiência acumulada por Pedro Silva na indústria automotiva desde sua entrada na FCA em 2008.
Fiat e Jeep: antes das marcas francesas, o executivo trabalhou em posições de marketing de produto nas duas operações.
Peugeot em alta: a marca cresceu 28% em setembro frente a agosto, com o 2008 avançando 31%.
Nova função: Fabiana Figueiredo passa à área de Business Transformation ligada à estratégia de inteligência artificial da Stellantis.

Mecânica Online® – Mecânica do jeito que você entende

Head de marca: executivo responsável pela estratégia, posicionamento e desempenho de uma marca dentro de determinada região.
Sinergia: utilização conjunta de estruturas, tecnologias e recursos entre marcas para reduzir custos e aumentar eficiência.
Canibalização: ocorre quando um modelo ou marca conquista vendas principalmente de outro produto do próprio grupo, em vez de retirar clientes dos concorrentes.
AI Transformation: aplicação estruturada de inteligência artificial para transformar processos, produtos e decisões de negócio.

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