O criminoso Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, planejava abrir uma empresa de fachada no Paraguai para facilitar a importação de armas, drones e bloqueadores de sinal. A informação foi obtida durante a investigação de um esquema utilizado pelo traficante para receber, em casa, equipamentos ilícitos que auxiliam na guerra contra facções rivais e na resistência às operações policiais. A rede clandestina foi descoberta pela Polícia Federal, que, na semana passada, prendeu Everson Vieira Francesquet, acusado de ser o armeiro do traficante.
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A conversa sobre criar uma empresa de fachada começou em junho do ano passado. Na ocasião, Francesquet enviou uma mensagem perguntando sobre a possibilidade de Peixão conseguir um endereço no Paraguai. O criminoso respondeu que seria possível, pois tinha “um pessoal” no país. Em seguida, Peixão enviou uma lista de peças que desejava comprar e, logo depois, um áudio:
“Aí, meu mano, então! Aí é só tu ver essas peças aí, se tu conseguir. O endereço é mole, já vou mandar ver isso aqui agora”, escreveu ele.
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O armeiro explicou que o endereço facilitaria o transporte das peças devido à falta de fiscalização aduaneira no país:
“[…] Isso aí vem dos Estados Unidos para o Paraguai. O Paraguai não tem fiscalização aduaneira, e lá é liberado. […] Atravessam a fronteira, da fronteira mandam pelos correios. Quando já estiver no Brasil, tu consegue mandar essas peças e passa batidão”, disse Francesquet.
Nessa parte da conversa, Peixão complementa que seria possível organizar um esquema “bonitão” montando uma empresa no Paraguai:
“Dá para fazer o bagulho bonitão, dá para a gente montar uma loja lá no Paraguai, se quiser. Se não quiser, bota só o endereço. […] Eu consigo a transportadora que traz. Até se for fuzil, não tem problema”, afirmou.
Esquema para comprar armas
A investigação revelou que a quadrilha de Peixão usa grandes transportadoras para receber, em casa, o armamento e outros equipamentos ilícitos que auxiliam na guerra e na resistência às operações policiais. Dessa maneira, os traficantes não precisavam se arriscar a ser presos ao cruzar fronteiras ou a esconder a carga ilícita em caminhões e porta-malas de carros, disseram os investigadores. Do Paraguai, por exemplo, eles importavam até fuzis AK-47 e mandavam entregar pelos Correios.
A investigação, revelada no Fantástico, começou com a prisão de Everson Vieira Francesquet, em julho do ano passado, quando ele tentou buscar um fuzil antidrone em um Centro de Distribuição dos Correios, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele foi solto depois pela Justiça, mas passou a ser monitorado pela PF.
Mensagens interceptadas mostram que Everson Francesquet cuidava da compra e envio do material, que vinha até com código de rastreamento online. Uma das táticas para tentar driblar o controle da alfândega, ao negociar na plataforma chinesa AliExpress, era limitar algumas compras a US$ 25. Ele se preocupava até com a valorização da moeda americana, que poderia encarecer a importação.
A Polícia Federal também encontrou quatro recibos de liberação alfandegária no telefone do armeiro. Os documentos foram emitidos pela empresa DHL para o transporte de produtos de Hong Kong, na China, para a casa de Everson, em Nova Iguaçu.
Os Correios disseram que mantêm uma atuação rigorosa no combate ao envio de objetos ilícitos por meio do serviço postal e estão trabalhando em parceria com órgãos de segurança pública e fiscalização. A DHL Express informou que não compactua com nenhum tipo de atividade criminosa e disse que acompanhará o caso, colaborando com a investigação. O AliExpress declara que repudia qualquer atividade criminosa e está disponível para colaborar com as autoridades responsáveis. A defesa do preso não foi encontrada.
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