BRASÍLIA – O Ministério de Minas e Energia (MME) autorizou três novas empresas a atuar com a importação de energia elétrica da Venezuela, em despachos publicados nesta quarta-feira (2/4). Entraram na lista: BTG Pactual e Engelhart, além da RZK Comercializadora.
Desde dezembro de 2023, quando as regras de remuneração pela energia importada pela Venezuela foi alterada, elevando a receita dos importadores, dez comercializadoras tiveram seus pedidos de autorização aprovados.
A importação começou este ano, em fases de teste, pela Bolt Energy. A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a empresa a comprar um limite de 15 megawatts (MW) entre fevereiro e abril, a um custo de R$ 1.096 por MW.
Nesta quarta (2/4), um despacho também inclui o CNPJ da matriz da Bid Comercializadora; uma filial da empresa estava autorizada desde o mês passado.
O BTG Pactual detém 5% do consumo de energia no mercado livre, segundo informações no site do banco. Atua há mais de 12 anos no segmento, presente em todo o território nacional. São duas autorizações, para o BTG Pactual Energia e para o Banco BTG Pactual S.A.
A Engelhart é uma trading internacional de commodities fundada em 2013 pelo grupo BTG.
O banco é sócio da Eneva, geradora e produtora de gás natural, outra empresa que pode importar energia da Venezuela.
Em outubro, elas concluíram a transferência de três termelétricas controladas pelo BTG para a Eneva e, mais recentemente, o banqueiro André Esteves foi formalmente indicado para o seu conselho de administração, em mais um capítulo da integração dos negócios.
Desde 2023 no mercado livre, a RZK atua no ramo de geração distribuída e possui 30 usinas de energia renovável, incluindo solares e termelétricas movidas a biogás, segundo informações da empresa.
Empresas autorizadas a importar energia da Venezuela
- Âmbar (dezembro de 2023).
- Bolt Energy (abril de 2024).
- Tradener (abril de 2024).
- Eneva (setembro de 2024).
- Matrix Comercializadora (outubro de 2024).
- Infinity (novembro de 2024).
- Bid Comercializadora (março de 2025).
- BTG Pactual e Engelhart, além da RZK Comercializadora (abril de 2025)
Roraima será conectada ao restante do país
O aumento do interesse pela energia da Venezuela ocorre às vésperas da conexão de Roraima com o SIN. A linha de transmissão que liga Manaus (AM) a Boa Vista (RR) está em construção e deve ser inaugurada em 2025, conforme previsão do MME.
A importação da energia do país bolivariano foi encerrada no governo de Jair Bolsonaro (PL), opositor de Nicolas Maduro e em meio a uma crise no país vizinho que implicou, inclusive, na deterioração da infraestrutura de transmissão entre os paíse.
A energia é importada da hidrelétrica de Simón Bolivar (Guri) e foi preciso reformar a linha que chega na fronteira com Roraima. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, esteve pessoalmente no país, em 2023.
Com as novas regras, a importação de energia da Venezuela deve, necessariamente promover redução na Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), levando em conta os preços praticados pelas comercializadoras em comparação ao custo variável unitário (CVU) das termelétricas de Roraima.
Em dezembro de 2023, a Âmbar, do grupo J&F, obteve o aval do governo para iniciar testes para importação da energia venezuelana.
Os primeiros valores aprovados suprem os R$ 1000 por MWh, abaixo do custo de geração local, em térmicas mais caras. Roraima ainda está isolada do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Enquanto a importação representa uma redução de custos para os consumidores de energia, nos primeiros governo Lula, o valor era negociado pelos países, não ultrapassando os US$ 30 ou R$ 170 por MWh no câmbio atual. A nova precificação foi alvo de críticas de consumidores de energia.
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