Os parques de diversões atravessam décadas divertindo famílias e sendo parte do imaginário coletivo da nossa região
Quem nunca aproveitou os parques próximos à rodoviária ou então, para os mais saudosistas, os brinquedos que eram instalados nas feiras como a Produsul? As atrações itinerantes são um entretenimento que está conectado ao grande substrato cultural da nossa região e de praticamente todo o país. Contudo, há um setor inteiro que é movido por esta atividade, além de vidas que são construídas ao redor dos parques.
Vivendo no parque
O Center Park está em Tubarão, trazendo diversão para crianças, jovens e adultos, mas poucos imaginam a rotina intensa por trás do brilho das luzes e dos brinquedos em movimento. O parque itinerante, fundado em 1965 na cidade de Soledade, no Rio Grande do Sul, atravessa o Sul do Brasil levando adrenalina e entretenimento, com uma estrutura que envolve mais de 25 atrações e uma equipe dedicada que vive essa rotina nômade.
Gabriely Oliveira, 22 anos, conhece essa vida como poucos. “Eu nasci no parque, minha família tem parque. O Rei Center Park já tem mais de 50 anos de história, e eu estou aqui desde que nasci. Meu marido também vive aqui, assim como minha mãe, que também veio de uma família de parques. Nós viajamos o tempo todo, cada dia em uma cidade diferente. Durante a pandemia, quando tivemos que parar, foi muito difícil para mim. Estar fixo em um lugar parecia estranho.”
A mobilidade e a diversidade de experiências fazem parte do encanto para quem trabalha no parque. “Minha parte favorita é nunca ir no mesmo mercado, na mesma loja, ver sempre algo novo. Eu adoro a troca de cidades, a viagem em comboios com as carretas e carros. E, quando temos um tempo livre, conseguimos visitar pontos turísticos e conhecer novos lugares”, conta Gabriely.
Rotina e segurança
Mas a rotina de um parque itinerante vai muito além do glamour das luzes coloridas. Eleandro Alves, que trabalha em parques de diversões desde os 13 anos e soma mais de 25 anos no ramo, explica que o trabalho começa cedo. “A gente levanta, toma café e já começa a trabalhar por volta das oito e meia, nove horas. Trabalhamos até o meio-dia, depois voltamos a partir das três da tarde. O parque abre às seis da noite, e nos fins de semana, às duas da tarde. É um ritmo intenso.”
A segurança e a manutenção dos brinquedos são uma das principais preocupações. “Todo dia tem manutenção. Lixamos, pintamos, lubrificamos, arrumamos tudo de novo. Trabalhamos com vidas, então todo cuidado é pouco. Se um brinquedo apresenta qualquer problema, ele é imediatamente retirado de funcionamento até que esteja 100% seguro”, ressalta Eleandro.
A estrutura do parque conta com uma equipe fixa de cerca de 25 funcionários, mas o número pode variar de acordo com a cidade e a demanda. Alguns brinquedos do Center Park são alugados para outras localidades e, quando retornam, precisam ser reinstalados. “Temos brinquedos próprios e outros que são fabricados em Caxias do Sul. O mais concorrido aqui é o The King, que roda e vira de ponta-cabeça, sempre tem fila.”
A operação de um parque itinerante envolve uma logística complexa. A desmontagem e transporte dos brinquedos exigem planejamento e trabalho em equipe. Quando chega a hora de mudar de cidade, o parque se transforma em um grande comboio de caminhões, trailers e carretas. “Nós somos como uma empresa ambulante. Tudo é feito dentro das normas, temos décimo terceiro, férias. Quando paramos na praia por três meses, conseguimos relaxar um pouco mais, mas, fora isso, é sempre trabalho e viagem”, explica Eleandro.
Para a equipe do parque, cada cidade visitada traz uma nova experiência. “Aqui em Santa Catarina, o público é muito educado, receptivo. Vemos famílias se divertindo e sentimos uma alegria enorme por fazer parte disso”, completa Eleandro.
Enquanto o Center Park segue sua temporada em Tubarão, os trabalhadores mantêm o ritmo intenso para garantir que cada noite seja repleta de diversão para o público. Atrás das cortinas, a magia do parque continua sendo construída, dia após dia, por aqueles que escolheram fazer da diversão um estilo de vida.
Especialistas do canal Hapfun analisam o crescimento dos parques de diversões no Brasil
O setor de parques e atrações de entretenimento no Brasil vive um novo boom, semelhante ao crescimento expressivo dos parques aquáticos nos últimos cinco anos. O país tem se destacado no cenário global, impulsionado por novos empreendimentos, atrações inéditas e investimentos que colocam o Brasil no mapa dos parques mais visitados do mundo.
Para entender melhor essa expansão, conversamos com Alisson Traldi e Fagner Marques, criadores do canal Hapfun — o maior do Brasil sobre parques de diversões, com mais de 200 mil inscritos no YouTube. Os dois se tornaram autoridades no ramo dos parques no Brasil, tanto é que, atualmente, estão trabalhando na construção do Cacau Park em São Paulo. Segundo eles, a lista de novos projetos é extensa e animadora, incluindo complexos como o “Imagine”, do Rock in Rio, o “Cacau Park”, da Cacau Show, e o “Puy du Fou”, um dos parques de shows mais premiados da Europa. A presença dessas grandes marcas reforça o crescimento do setor e atrai parcerias internacionais.
O impacto dos parques itinerantes
Os parques móveis seguem como parte essencial do imaginário popular, pois viajam pelo país e tornam a diversão mais acessível. “Eles fazem parte da cultura das cidades e criam uma identidade visual clássica”, destacam os especialistas. Uma das experiências mais marcantes que viveram foi um encontro exclusivo com seguidores do canal no Morenos Park, onde tiveram uma hora de acesso livre às atrações, podendo repeti-las várias vezes.
Sobre segurança, eles alertam para a conservação do parque. “Observar se está bem pintado, organizado, com iluminação funcionando e estrutura bem cuidada já dá um bom indicativo”, explicam. Além disso, recomendam que visitantes consultem associações como Adibra e Sindepat, que exigem normas rígidas dos parques filiados. Entre os itinerantes mais confiáveis, citam Morenos Park, Yupie Park, Play City, Ita Center Park, Millenium Park e Vitinho Park.
Brinquedos favoritos e tendências
Quando o assunto é diversão, as montanhas-russas seguem como favoritas dos dois. “Mesmo sem serem as mais radicais, sempre me divertem”, conta Fagner. Já Alisson destaca sua paixão pelo Booster, atração itinerante de 40 metros de altura e 100 km/h. “É extremamente radical e divertida”, afirma. Por outro lado, brinquedos com muitos giros não estão entre os preferidos de Fagner.
Com o avanço do setor e a chegada de novos projetos, a expectativa é que o mercado de parques de diversões no Brasil continue crescendo, proporcionando experiências inovadoras para o público.
Crédito: Link de origem