Crédito, José Cruz/Agência Brasil
- Author, Marina Rossi
- Role, Da BBC News em São Paulo
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“Vem para somar na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, na interlocução do Executivo com o Legislativo e demais entes federados”, escreveu Lula em sua conta no X.
Gleisi, por sua vez, foi à mesma rede social agradecer o convite e o apoio do PT.
“Sempre entendi que o exercício da política é o caminho para avançarmos no desenvolvimento do país e melhorar a vida do nosso povo. É com este sentido que seguirei dialogando democraticamente com os partidos, governantes e lideranças políticas, como fiz nas posições que ocupei no Senado Federal, na Câmara dos Deputados, na Casa Civil, na Diretoria de Itaipu e, atualmente, na presidência do PT”, escreveu ela.
Padilha já havia comandado a Saúde anteriormente, no governo de Dilma Rousseff (PT), entre janeiro de 2011 e fevereiro de 2014.
A saída de Padilha da pasta de Relações Institucionais, que é responsável pela articulação política do governo, abriu espaço para Lula melhorar a relação com o Congresso.
Padilha vinha enfrentando problemas na condução das negociações políticas, tendo sido chamado publicamente de incompetente pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL).
O Palácio do Planalto, porém, não deu explicação oficial para a troca ministerial. Segundo a imprensa brasileira, Nísia Trindade foi demitida por uma insatisfação de Lula com os resultados da pasta.
A ida de Gleisi para o governo tem como pano de fundo a eleição interna do PT, partido do qual ela é presidente desde 2017.
Em julho, o partido decidirá por seu novo presidente. Embora Gleisi seja do mesmo grupo político que Lula – Construindo um Novo Brasil (CNB) – que tem apoiado Edinho Silva para assumir o posto, a deputada paranaense se opunha ao nome do ex-prefeito de Araraquara (SP) para ser seu sucessor.
O nome de Edinho, segundo o cientista político da Tendências Consultoria, Rafael Cortez, aponta para um PT mais pragmático. Diferentemente da escolha de Gleisi para as Relações Institucionais.
“Gleisi está indo para uma pasta que é o coração de articulação de um governo cujo dilema é manter minimamente a coalizão de pé para 2026”, diz. “E a escolha pela Gleisi é a escolha de uma figura politicamente muito carregada, sobretudo nessa ótica de fazer o governo dar sinais para a centro-direita.”
Inicialmente, as especulações apontavam que Gleisi deveria ir para a Secretaria-Geral da presidência, uma pasta que lida com a articulação do governo com os movimentos sociais.
Por isso, a escolha de Lula pelas Relações Institucionais parece, segundo Cortez, o reflexo de algum conflito interno, já que, segundo ele, não condiz com a tentativa de coalizão que muitos petistas defendem para viabilizar as próximas eleições.
“A mensagem que o governo passa é que a metade final do mandato de Lula é mais petista e menos de frente ampla”, afirma Cortez.
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Crédito, Getty Images
Gleisi tem 59 anos. Ela participou do movimento estudantil e se formou em direito, com especialização em gestão pública. É filiada ao PT desde 1989 e assessorou quadros do partido.
Elegeu-se senadora em 2010 e foi ministra da Casa Civil no governo de Dilma Rousseff (PT) de 2011 a 2014.
Assumiu a presidência do PT em 2017. Seu mandato à frente da sigla deve se encerrar em julho deste ano, quando estão convocadas eleições internas do partido.
A posse de Gleisi está marcada para 10 de março.
Seu nome foi escolhido em meio a críticas pela redução da participação feminina no governo Lula. Havia 11 mulheres à frente de ministérios no início do mandato.
Três formam demitidas e substituídas por homens: Ana Moser (Esporte) e Daniela Carneiro (Turismo), além de Nísia.
Agora voltam a ser nove pastas chefiadas por mulheres, com a nomeação de Gleisi para comandar a articulação política de Lula em um momento de crise.
O anúncio destas mudanças vem após meses de especulação sobre uma reforma ministerial, discussão que ganhou novo fôlego após a forte queda de popularidade de Lula no início do ano.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 14 de fevereiro, a aprovação do presidente recuou de 35% para 24% em dois meses, pior nível já registrado pelo petista em todos os seus mandatos. A reprovação também é recorde, subindo de 34% a 41%.
Nesse contexto, partidos do Centrão pressionam o presidente por mais espaço na Esplanada dos Ministérios.
Esta reportagem está em atualização.
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