Jovens guineenses vão em maio ao Brasil receber formação em produção de caju

Depois de Angola, que terá 50 estudantes a receber formação na indústria do cacau, a  Guiné Bissau foi escolhida como o segundo país africano a participar do programa ‘Youth Technical Training Program’ (YTTP), “devido à importância estratégica do setor do caju para sua economia, responsável por mais de 90% das exportações do país, sendo uma fonte essencial de renda [rendimento], empregos e crescimento económico”,  afirmou à Lusa João Bosco Monte.  

 Apesar da sua relevância, este setor agrícola “enfrenta desafios significativos, como a baixa adoção de tecnologias modernas, a dependência de exportações de matéria-prima com pouco valor agregado e a necessidade de maior eficiência em toda a cadeia produtiva”, justificou o responsável brasileiro.

De acordo com o presidente do instituto Brasil-África, o país africano utiliza, na maioria das vezes, “métodos tradicionais, o que reduz a eficiência produtiva e mantém a economia dependente da exportação de matéria-prima em estado bruto”.

A formação será realizada entre 05 e 16 de maio no estado brasileiro do Ceará, principal produtor de castanha de caju no país.

Os 50 jovens guineenses serão capacitados em todas as etapas da produção através do acesso a “conhecimentos técnicos avançados, abrangendo boas práticas agrícolas, modernização do processamento e estratégias para agregar valor ao produto”, disse.

Na opinião de João Bosco Monte, a qualificação da mão-de-obra neste setor agrícola guineense vai possibilitar ao país acrescentar valor ao produto final e aumentar assim a sua competitividade no mercado global.

“Além disso, o fortalecimento da cadeia produtiva do caju deverá contribuir para a diversificação da economia local, criando mais oportunidades de emprego, fomentando o empreendedorismo entre os jovens e impulsionando um desenvolvimento socioeconómico sustentável na Guiné-Bissau”, justificou.

O objetivo do Instituto Brasil-África é o de capacitar 1.000 jovens africanos até o final de 2026 e, segundo o seu presidente, países como “Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe são exemplos de países que apresentam grande potencial para receber futuras edições do programa”.

 

MIM // MLL

Lusa/Fim

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