Jovens em Angola enfrentam barreiras no acesso ao emprego

A transição da universidade para o mercado de trabalho é um dos maiores desafios para os jovens angolanos. A situação é particularmente crítica para alguns jovens que não tiveram oportunidade de entrar no Ensino Superior e desejam abraçar o autoemprego, como o cabeleireiro Nelson da Conceição.

“Eu já sei cortar, já tenho clientes em casa. Mas para abrir o espaço legal pedem muita coisa. Só o alvará, NIF da empresa, conta bancária… Se eu abro sem papel, a fiscalização multa. Se espero juntar tudo, perco os clientes. Estou preso no meio”, lamenta este residente em Cabinda, Angola.

Outra jovem angolana, Pascoalina Gime, de 24 anos de idade, enfrenta dificuldades semelhantes: “A minha ideia é vender online, mas para ter contrato com a escola ou empresa pedem fatura. Para ter fatura preciso de empresa. Para ter empresa preciso de endereço comercial. Eu trabalho no quarto. O quarto não serve. Então desisto antes de começar. Falta um modelo para quem começa pequeno, dentro de casa”.

O empreendedor Adilson Santos diz que, por um lado, os jovens estão ansiosos para entrar no mercado de trabalho, por outro lado, a realidade é que o mercado de trabalho está em constante mudança:

“Pela lógica deveria ser: enquanto eu me formo, eu vou adquirindo outras formações profissionais para agregar no meu curriculum. Mas infelizmente, cá em Cabinda, sobretudo nas empresas, damos muito pouco oportunidade aos recém-formados”, comenta.

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O governo local tem implementado programas de apoio ao empreendedorismo, mas defende-se dizendo que é necessário mais tendo em conta o imposto industrial entre outras taxas, forçando muitos a continuar no mercado informal.

Sobre este assunto, o especialista João Lopes, do Instituto Nacional de Apoio às Micro, Pequenas e Médias Empresas (INAPEM), disse à DW: “O cenário continua a ser desafiante, embora se observe alguns sinais de mudanças aqui, sobretudo ao nível da mentalidade de jovens”.

“Há de facto uma transição progressiva de uma lógica de dependência de emprego público para uma postura mais pró-ativa orientada para o empreendedorismo”, frisou.

Em fevereiro, foi lançado em Cabinda o programa JOBE Angola, uma iniciativa estratégica do Executivo angolano que visa promover a empregabilidade, a capacitação profissional e a inserção socioeconómica da juventude.

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