Desafios no acesso ao financiamento persistem em Cabo Verde, apesar do crescimento do sistema financeiro
O sistema financeiro cabo-verdiano tem registado uma evolução positiva e sugere um elevado grau de bancarização, com uma taxa de 81,5%. No entanto, subsistem desafios, nomeadamente no acesso ao financiamento, nas taxas de juro das operações de crédito e nos custos das transferências de fundos.
A constatação foi feita pelo governador do Banco de Cabo Verde (BCV), Óscar Santos, durante o lançamento do livro “Literacia Financeira em Crioulo Cabo-verdiano”.
“Apesar do crescimento do sector e do aumento da bancarização, 81,5%, ainda persistem constrangimentos no acesso ao financiamento, com taxas de juro elevadas e custos consideráveis nas transferências de fundos”, afirmou Óscar Santos.
O governador do BCV defendeu que os novos modelos de negócio baseados na tecnologia podem contribuir para uma maior eficiência na análise de dados, reduzindo custos e assimetrias de informação, o que poderá facilitar o processo de financiamento para os clientes.
De acordo com o responsável, o desenvolvimento de novos meios de pagamento, como os pagamentos instantâneos, pode representar um passo importante para a inclusão financeira, permitindo uma maior acessibilidade a serviços bancários e melhorando a eficiência do mercado.
“Os pagamentos instantâneos poderão contribuir para a democratização dos serviços financeiros, garantindo que mais pessoas, independentemente da sua localização, tenham acesso a esses serviços”, sublinhou.
Ainda no seu discurso, Óscar Santos argumentou que o Banco de Cabo Verde tem investido na melhoria do acesso aos serviços financeiros, apostando na modernização da infraestrutura de pagamentos electrónicos.
Nesse sentido, está em curso um projecto para a implementação de um Sistema de Transferências Imediatas e Inclusivas (STII), que pretende assegurar a interoperabilidade e acessibilidade dos serviços de pagamento, abrangendo tanto bancos como prestadores não bancários.
“Este sistema permitirá que os cabo-verdianos realizem transferências imediatas de forma simples e acessível, inclusive através de dispositivos móveis, com ou sem ligação à internet”, explicou.
Outro aspecto considerado fundamental é a promoção da educação financeira, que tem vindo a ganhar relevo nos últimos anos.
Entretanto, reconheceu que apesar dos progressos, ainda existem desafios a superar, como a necessidade de alargar o alcance das iniciativas de educação financeira, especialmente em comunidades mais desfavorecidas, e a introdução da literacia financeira como disciplina no ensino formal.
Além disso, o Banco de Cabo Verde deu início recentemente ao Inquérito à Inclusão Financeira, cujos resultados serão divulgados em breve e fornecerão dados actualizados sobre o acesso e utilização dos serviços financeiros pela população.
Crédito: Link de origem