Base militar do Irã na Venezuela já opera com drones e cargueiros sancionados, elevando tensão na América do Sul

Publicado em 03/04/2025 às 22:47
Enquanto boa parte do mundo olha para os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia, uma movimentação silenciosa (e nada sutil) vem acontecendo bem aqui, no nosso quintal. A instalação de uma base militar do Irã na Venezuela, com produção de drones e operações conjuntas com o regime de Nicolás Maduro, já é realidade — e o alerta vermelho está aceso.
Na Base Aérea El Libertador, a mais estratégica do país caribenho, cargueiros iranianos pousam com frequência cada vez maior. O último, um Boeing 747 da Fars Air Qeshm, aterrissou no dia 30 de março de 2025, carregado sabe-se lá com o quê. E tudo isso acontece em plena luz do dia.
Fábrica de drones em operação na base militar
O centro nevrálgico dessa cooperação é a fábrica de drones montada dentro da base militar, que já estaria produzindo modelos como o Shahed-131 — aquele mesmo usado pela Rússia na guerra da Ucrânia — e o Mohager-6, equipado com munição de precisão. Esses equipamentos vêm sendo operados por militares venezuelanos treinados diretamente por instrutores iranianos.
No local, os drones receberam nomes “bolivarianos”: o Shahed foi rebatizado como Zamora V-1, numa tentativa de criar identidade própria, mas o DNA do Irã é inconfundível. E o objetivo é claro: reforçar o poder de Maduro e construir um polo regional de influência tecnológica e militar.
Acordos e voos cada vez mais frequentes
Desde a fraude eleitoral de 2024, o regime chavista estreitou ainda mais os laços com o Irã. Em novembro, uma comitiva de alto escalão iraniano esteve em Caracas para assinar uma nova rodada de acordos econômicos e militares. Entre os destaques: transferência de tecnologia, treinamento de tropas e isenção de vistos entre os dois países.
No fim de março de 2025, o cargueiro iraniano EP-FAB, da Fars Air Qeshm (companhia sancionada pelos EUA por ligação com a Guarda Revolucionária do Irã), pousou na base militar El Libertador. A frequência desses voos — sem inspeção pública ou transparência — acendeu o alerta em órgãos de inteligência do Ocidente.
Um entreposto geopolítico às portas do Brasil
O que antes parecia uma teoria da conspiração agora é uma preocupação concreta: a base militar do Irã na Venezuela serve como entreposto para movimentações estratégicas no continente. Relatórios da imprensa internacional indicam que o Irã está usando a Venezuela como “ponte” para financiar operações clandestinas no Oriente Médio, inclusive com ouro trocado por combustível e revendido via Turquia.
O país sul-americano tornou-se um possível porto seguro para altos membros do regime iraniano, com garantias de asilo político em caso de crise. Não é exagero dizer que Caracas virou um nó no tabuleiro da geopolítica global.
E o Brasil nisso tudo?
A proximidade geográfica com a Venezuela deixa o Brasil em uma posição delicada. Apesar das relações amistosas entre os governos, as Forças Armadas brasileiras seguem em alerta discreto, monitorando os desdobramentos dessa aliança que desafia os interesses do Ocidente.
Especialistas apontam que o país precisa intensificar seus programas de vigilância, reforçar alianças estratégicas e manter uma política de defesa autônoma, especialmente diante de um vizinho que virou aliado militar da Rússia, agora com base militar do Irã e da China — tudo ao mesmo tempo.
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