“Abre velhas feridas”, diz presidente do Paraguai sobre espionagem do governo Bolsonaro

247 – O presidente do Paraguai, Santiago Peña, criticou nesta sexta-feira (4) a suposta espionagem realizada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), durante o governo de Jair Bolsonaro, contra o país. Em entrevista à rádio argentina Mitre, Peña afirmou que o caso abre “velhas feridas”, fazendo referência à Guerra do Paraguai (1864–1870).

“O Paraguai tem uma história bastante dura na região, em um momento da nossa história tivemos que enfrentar uma guerra de extermínio como foi a Guerra da Tríplice Aliança […] o Brasil ficou em território paraguaio por quase uma década. Essas são feridas que estamos procurando curar, e este episódio infelizmente o que faz é abrir essas velhas feridas, quando o que queremos deixar para trás é essa história de ódio, de ressentimento, que vinha principalmente de fora para o Paraguai”, disse. “Infelizmente hoje percebemos que ainda há esse sentimento”.

Essa foi a primeira manifestação pública de Peña sobre o caso. A declaração do presidente reforça o posicionamento do chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, que já havia tratado o episódio como uma questão entre países, e não entre governos.

“Nós claramente temos uma posição de país, e vemos isso com uma tremenda preocupação, porque não condiz com o tipo de relação que queremos propor. Queremos propor uma relação de amizade, de sócio, de amigos, que nos permita construir realmente um Mercosul mais forte”, disse Peña.

Entenda

O caso veio à tona após um agente da própria Abin relatar à Polícia Federal que, durante a gestão de Jair Bolsonaro, a agência teria realizado ataques hackers para acessar informações sobre a negociação envolvendo a venda de energia pela Itaipu. A suposta operação da Abin teria mirado sistemas do governo paraguaio e autoridades envolvidas nas negociações da usina. 

O depoimento do agente ocorreu no âmbito da investigação brasileira sobre o uso indevido da agência no mandato de Bolsonaro e foi revelado pelo jornalista Aguirre Talento, do UOL. De acordo com o Itamaraty, a operação teria sido encerrada em 2023, após o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tomar conhecimento do caso.

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