Um dos maiores cientistas do planeta, para nosso orgulho brasileiro e contemporâneo, elogiou o programa do prefeito Ricardo Nunes para 2025: inundar São Paulo com árvores. José Goldemberg afirmou que o plantio é a melhor tecnologia disponível para descarbonizar o mundo. As árvores crescem rapidamente no Brasil e fazem de graça os serviços ecossistêmicos sem os quais não há possibilidade de sobrevivência na Terra. As árvores realizam a fotossíntese, garantem a recarga de oxigênio fundamental para a respiração. Sequestram carbono, o grande vilão causador do aquecimento global, responsável pelas emergências climáticas que nos afligem, mas que continuarão a fazê-lo, com frequência e intensidade cada vez maiores.
A ecotranspiração garante a absorção de vapor d’água que vai se alojar nas nuvens e propiciarão chuvas benéficas, não os temporais geradores de enxurradas violentas, alagamentos, enchentes e inundações. Árvore dá sombra, é abrigo para a fauna silvestre. Quando florida, atrai as abelhas polinizadoras, os beija-flores e demais seres vivos que fazem parte do elo existencial que une a todos e permite a continuidade da aventura humana sobre a superfície do planeta.
Se a inteligência humana detectasse a valia da arborização, ela seria uma prática diuturna e costumeira, por parte de toda a população. Infelizmente, não é o que ocorre. A Prefeitura recebe mais pedidos de remoção de árvore do que de plantio.
É muito importante que um intelectual do porte de José Goldemberg se entusiasme pelo programa de plantio intenso durante 2025, o ano da COP-30, para tornar São Paulo mais verde. Não são todos os brasileiros que sabem da fama e da celebridade do gaúcho que foi reitor da USP, secretário do Meio Ambiente paulista e ministro de Estado, dentre outros pontos altos em sua carreira de físico admirado por todos os colegas, em todas as universidades e instituições culturais deste mundo.
Quando o presidente Fernando Collor visitou a Rússia, em diálogo com Mikhail Gorbatchev, foi informado de que o Brasil possuía um cientista que a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas gostaria de ter: José Goldemberg. Foi por isso que, ao voltar para o Brasil, o presidente convidou Goldemberg para ser seu ministro.
Que esse plano de tornar São Paulo mais arborizada, com o apoio de alguém com o prestígio dessa personalidade, mereça também a adesão do empresariado. Principalmente daquele que extrai de São Paulo lucro milionário, pois aqui é o centro das atividades da América Latina, a capital cosmopolita que congrega os mais rentáveis setores da Nação, a maior cidade brasileira e a quinta maior metrópole mundial.
A capital já dispõe de boa cobertura vegetal. Mas é preciso ainda mais. 26% do território é de área verde com vocação de perpetuidade, pois são parques, unidades de conservação e florestas urbanas municipais. Acrescentado ao das demais áreas cobertas de árvores, jardins e campos de outras entidades da Federação e de particulares, esse percentual chega a 54% do território paulistano. Mas é preciso dotar de árvores as regiões mais áridas. E são muitas ainda, infelizmente.
Enquanto o mundo patina em tecnologias dispendiosas e que demandam longo tempo, São Paulo tem à disposição essa tecnologia barata, eficiente e singela. O plantio de árvores.
A venda do crédito de carbono, tardiamente encarada pelo Parlamento, ainda levará anos para ser implementada. Enquanto isso, as certificações privadas padecem de falta de confiabilidade. Isso espanta os investidores internacionais. Nem se pense em enterramento do gás carbônico, quilômetros abaixo da superfície terrestre. Caro e polêmico.
Já plantar árvores, é algo que sabemos fazer. Não faltam árvores. Só é preciso contaminar a população e, principalmente, o empresariado, as associações, os clubes, as instituições, o terceiro setor, a sociedade civil. Se houver adesão ao plano, São Paulo estará mostrando a toda a humanidade que é possível reduzir os efeitos nocivos do aquecimento global, provendo seus espaços de algo natural, essa dádiva chamada árvore.
Não faltam espécimes da Mata Atlântica e do Cerrado, pois nossa cidade já está ganhando espaços que se aproximam do bioma que não seria exatamente o nosso, mas que as mudanças climáticas já trouxeram. O plantio precisaria ser o compromisso de todas as pessoas que se preocupam com o futuro e que enxergam com certa angústia o agravamento dos desastres que não são naturais, pois provocados pelo mau uso da terra, mas que pode ser debelado se houver essa conscientização seguida de efetiva ação.
No ano da COP-30, São Paulo terá o que mostrar ao mundo, ao se tornar a cidade mais verde e mais resiliente do globo atormentado pela insensibilidade de grande parte de seus moradores, inquilinos ingratos e infiéis, que dele se servem como supermercado gratuito. De onde tudo tiram, nada repõem. Ainda é tempo de fazer algo de bom. Adira a essa cruzada salvífica.
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REITOR DA UNIREGISTRAL, DOCENTE DA PÓS-GRADUAÇÃO DA UNINOVE, É SECRETÁRIO-EXECUTIVO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS DE SÃO PAULO
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