Exclusivo: “Já sofri muito, perdi 30 quilos”. Português é alvo de tortura em prisão de país da CPLP há dois anos
Caso de Nuno Pimentel nunca foi julgado e um tribunal decretou a sua libertação em setembro, mas o empresário continua detido em condições ilegais
Primeiro foi detido, agora está mesmo sob sequestro num país que até faz parte da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Nuno Pimentel está há dois anos preso na Guiné-Equatorial, tempo durante o qual já perdeu mais de 30 quilos, sem que as acusações de fraude de que é alvo tenham sido alguma vez provadas.
Em paralelo, e apesar de ter recebido uma ordem de libertação imediata em setembro, o português continua detido e sob o efeito de práticas de tortura, enquanto desespera com a inação da diplomacia portuguesa.
“Se o juiz mandasse de verdade, ele estava em liberdade”, afirma ao Exclusivo, da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), Daniel Pimentel, pai do homem detido.
Num áudio obtido através da prisão, Nuno Pimentel garante que está detido “ilegalmente”: “Isto chama-se um sequestro, porque eu tenho a minha liberdade. Eu tenho um documento que diz que não tenho de estar preso”.
Mas está, e as condições em que é mantido na cadeia são, diz, desumanas.
“Ele leva porrada, é encurralado num curral sem comida, sem água”, garante o pai.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, está a par da situação, mas a família garantiu ao Exclusivo que o Governo não faz nada para colocar um fim a uma violação de direitos humanos.
“Eu encontro-me ainda na cadeia, sem estar livre, o que é ilegal, é contra a lei constitucional e os meus direitos”, afirma, relatando a angústia que sente: “Já sofri muito, perdi 30 quilos”.
“O consulado português tem conhecimento. Dizem que estão a par, mas nada se resolve”, sublinha Daniel Pimentel, criticando a falta de “coragem” do Estado português em intervir junto da Guiné-Equatorial.
Em resposta ao Exclusivo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros garante que acompanha toda a situação: “O embaixador português em Malabo tem reiterado sistematicamente às autoridades da Guiné-Equatorial, de modo inequívoco, a expectativa de que o português possa ser libertado o quando antes, tal como determinado por sentença judicial”.
Empresário, Nuno Pimentel foi detido por crimes de fraude que nunca foram provados, até porque, apesar de detido há dois anos, não foi ainda julgado num tribunal. Agora espera uma ação após a decisão final.
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