Filha de Teodoro Obiang apanhada na Operação “Cashflow”. Empresa suspeita de fraude terá sido financiada por Francisca Jiménez.
O que prometia ser um importante investimento no concelho da Guarda transformou-se, ao fim de um ano, em desemprego para os trabalhadores e, atualmente, numa investigação judicial por suspeitas de fraude a fundos europeus em cerca de sete milhões de euros. Por detrás da operação está, segundo apurou o CM, Francisca Jiménez, filha do Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang.
De acordo com informações recolhidas, a investigação da Unidade Nacional Contra a Corrupção (UNCC) da Polícia Judiciária apurou que a empresa promotora do projeto para uma fábrica de pellets foi, em parte, financiada por Francisca Jiménez. Só assim, com 25% de capitais próprios, é que a empresa em causa, a “Kronodefine” do grupo “Atgreen”, conseguiu candidatar-se a fundos europeus para o projeto da fábrica, obtendo sete milhões de euros em financiamento para um (suposto) investimento de 15 milhões.
Ao que o CM apurou, a investigação suspeita do empolamento dos custos (desde o preço da maquinaria a outros gastos), de forma a obter o máximo de financiamento possível.
Ontem, na operação “Cash Flow”, que mobilizou uma centena de inspetores, a PJ deteve dois suspeitos e constituiu um advogado como arguido. Os detidos deverão ser hoje presentes a um juiz de instrução no Tribunal Central de Instrução Criminal.
Em comunicado, a Judiciária adiantou que “para levar a cabo o plano criminoso, os suspeitos terão desenvolvido vários esquemas, nomeadamente a capitalização de uma empresa em cerca de dois milhões e quinhentos mil euros, provenientes de uma outra, sediada na Zona Franca da Madeira, uma vez que a concessão do incentivo financeiro se encontrava condicionada à apresentação de, pelo menos, 25% de capitais próprios do projeto”
Há ainda suspeitas de empolamento de “despesas, celebrado contratos simulados e omitido a aquisição de equipamentos logísticos a uma empresa sedeada num país com tributação privilegiada” “Desde a preparação da candidatura, passando pela sua submissão, foram fornecidas ao IAPMEI informações falsas, inexatas e incompletas, relativas a factos importantes para a respetiva concessão do subsídio”, concluiu a PJ.
A investigação apurou ainda que os suspeitos têm participações em diversas sociedades comerciais portuguesas e estrangeiras, resultando fortes indícios de que utilizam o sistema bancário para fazer circular fundos entre contas bancárias da Guiné Equatorial, Luxemburgo, Marrocos, Emirados Árabes Unidos, Espanha e Portugal, para contas bancárias destes, dos seus familiares e de empresas associadas. A operação “Cash Flow”, desenvolvida nos distritos de Lisboa, Porto, Guarda, Braga, Vila Real na Região Autónoma da Madeira e em Espanha, visou a execução de 24 mandados de busca, 9 domiciliárias e 15 não domiciliárias, e contou com a participação de 102 inspetores, quatro peritos da Unidade de Perícia Tecnológica e Informática e cinco peritos da Unidade de Perícia Financeira e Contabilística da PJ.
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