Ebo Taylor morre aos 90 anos: pioneiro do highlife e afrobeat

O guitarrista, arranjador e produtor ganês Ebo Taylor, figura central do highlife e afrobeat, morreu aos 90 anos. O falecimento ocorreu na terça-feira (10), um dia após o lançamento do festival musical que leva seu nome e exatamente um mês depois de seu aniversário. A notícia foi divulgada por seu filho, Kweku Taylor, através das redes sociais.

Nascido como Deroy Taylor em 6 de janeiro de 1936 em Cape Coast, Gana, o músico construiu uma carreira de décadas que o estabeleceu como um dos principais expoentes da música da África Ocidental. Conforme reportado pelo Guitar World, Taylor foi uma influência fundamental para o desenvolvimento dos gêneros musicais africanos que ganharam projeção internacional nas últimas décadas.

Taylor iniciou sua trajetória musical no final dos anos 1950, integrando bandas de highlife como Stargazers e Broadway Dance Band. Durante esse período, desenvolveu suas habilidades tocando e criando arranjos para diversas bandas em Accra e Cape Coast.

Nos anos 1960, Taylor mudou-se para Londres, onde frequentou a Eric Gilder School of Music e conheceu o músico nigeriano Fela Kuti, precursor do afrobeats. Em 1965, pouco antes de retornar a Gana, formou a Black Star Highlife Band com o baterista Sol Amarfio e o multi-instrumentista Teddy Osei, seus antigos companheiros da banda Stargazers.

Conhecendo a música de Ebo Taylor

A discografia de Taylor inclui álbuns lançados em diferentes décadas: “My Love And Music” (1975), “Life Stories” (1977), “Love & Death” (2010) e “Yen Ara” (2018). Mesmo após sofrer um AVC em 2018, o músico manteve-se ativo, lançando seu último trabalho, “Jazz Is Dead 022”, em 2025, em colaboração com Adrian Younge e Ali Shaheed Muhammad.

Além de seus projetos solo, Taylor produziu para artistas como Pat Thomas e CK Mann, e trabalhou como guitarrista, arranjador e produtor residente para a gravadora Essiebons. Sua última apresentação pública registrada aconteceu durante o Festival Womad 2011 no Charlton Park, perto de Malmesbury, em Wiltshire, Inglaterra.

“O mundo perdeu um gigante”, escreveu Kweku Taylor nas redes sociais. “Um colosso da música africana. Ebo Taylor faleceu ontem; um dia após o lançamento do festival de música Ebo Taylor e exatamente um mês depois de seu 90º aniversário, deixando um legado artístico incomparável. Pai, sua luz jamais se apagará.”

Ebo Taylor e sua relação com a música africana

Em entrevista à Vinyl Factory em 2018, Taylor relembrou conversas com Fela Kuti: “Fela costumava me dizer: ‘Por que nós, africanos, estamos sempre tocando jazz?’ Ele dizia que jazz era coisa de americano e que deveríamos fazer algo nosso”.

Em outra entrevista, concedida ao Post Genre em 2025, Taylor complementou: “Nós também tínhamos o desejo de nos tornarmos um Miles Davis, um Charlie Christian ou um Kenny Burrell. Então, tínhamos o mesmo espírito… Ele era uma pessoa tão brincalhona e animada.”

Sobre o interesse pela música tradicional africana, Taylor comentou: “Ainda é uma minoria que se interessa por música tradicional. A maioria dos jovens músicos em Gana busca inspiração no exterior, talvez misturando elementos de highlife ou afrobeat.”

O músico também observou uma tendência de retorno às raízes musicais: “Mas algumas pessoas estão voltando-se para formas musicais mais antigas. Há uma nova onda relacionada ao highlife dos anos 40 e 50. Todos os estilos mais antigos foram esquecidos ou ignorados durante a era colonial, especialmente em grandes cidades como Accra, onde se ouvia principalmente música britânica nos clubes.”

Taylor destacou a preservação da música tradicional em certas regiões: “Essa atitude persistiu mesmo depois da independência. Mas em Saltpond City, e ao longo de toda a costa do Cabo, eles nunca se esqueceram da música tradicional. Você ainda pode ouvir os pescadores cantando as canções enquanto consertam suas redes na praia.”

Defendendo a evolução musical com respeito às tradições, Taylor afirmou: “Acredito que seja importante que a música progrida, caso contrário ela se torna apenas algo para museus, mas é preciso conhecer a cultura tradicional antes de começar a adicionar elementos a ela.”

O festival que leva seu nome, inaugurado pouco antes de seu falecimento, contribuirá para manter viva sua contribuição artística para as próximas gerações. As informações disponíveis não mencionam a causa da morte ou detalhes sobre cerimônias fúnebres planejadas para o artista.

As informações são do Guitar World.

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