Dez hábitos que podem te ajudar a viver mais e melhor
Crédito: Amanda Botelho/Estadão
A medicina da longevidade é uma mistura confusa de boas intenções, cuidados de ponta e óleo de cobra caro.
Isso acontece em parte porque, atualmente, não existe certificação oficial nem diretrizes formais para praticar medicina da longevidade (também chamada de geromedicina) nos Estados Unidos (no Brasil, essa também não é uma especialidade oficial). Praticamente qualquer pessoa com diploma de medicina pode se autodenominar médica ou médico da longevidade; basta observar todos os médicos-influenciadores que se posicionam como especialistas nas redes sociais.
E, embora existam profissionais trabalhando de boa-fé para ajudar as pessoas a viver mais e melhor — e cientistas buscando tratamentos que possam desacelerar o envelhecimento — também há clínicas e empresas que comercializam de tudo em nome da longevidade. Isso inclui suplementos, exames e infusões com pouca evidência científica para sustentar seu uso.
A medicina da longevidade “exige muito escrutínio”, diz Bobby Mukkamala, presidente da American Medical Association. Os tratamentos oferecidos pelas clínicas “se baseiam em algo realmente comprovado para funcionar ou em algo que ainda não foi demonstrado?”
Conversamos com nove médicos da longevidade e outros especialistas em saúde sobre as formas mais promissoras pelas quais a área pode ajudar as pessoas — e onde o entusiasmo já ultrapassou a ciência e pode estar fazendo mais mal do que bem.

Sem regulamentação oficial, a medicina da longevidade mistura boas práticas e tratamentos duvidosos Foto: Jade/Adobe Stock
Medicina da longevidade bem feita?
Os especialistas comentam que a melhor versão atualmente consegue fazer algumas coisas: dar às pessoas mais tempo e atenção do que o sistema tradicional de atenção primária permite, oferecer planos de cuidado mais personalizados e priorizar a prevenção de doenças em vez do tratamento após o aparecimento.
“Acho que, no melhor cenário, a medicina da longevidade é aquilo que a boa medicina sempre aspirou ser, mas raramente teve ferramentas para entregar”, afirma Jordan Shlain, fundador da clínica concierge Private Medical.
Um primeiro passo típico em muitas clínicas é um check-up abrangente, que costuma incluir avaliação de condicionamento físico, exames de sangue, sequenciamento genético e exames de imagem corporal. Alguns, como o painel metabólico, já são padrão na atenção primária. Outros eram mais comuns em especialidades, mas estão se tornando mais populares, como os testes de lipoproteína(a) e apolipoproteína B, biomarcadores ligados à saúde cardiovascular.
Para os defensores da área, esses exames servem para reunir dados sobre o risco individual de doenças e criar um plano de intervenção mais precoce.
“Quando pensamos na atenção primária hoje, ainda reagimos a informações que são, digamos, ‘depois do fato’”, comenta Nicole Sirotin, diretora-executiva do Institute for Healthier Living Abu Dhabi. (Embora existam muitas clínicas nos EUA, boa parte do trabalho para expandir e padronizar o campo ocorre em outros países.)
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Nicole cita o controle da glicemia como exemplo. Na atenção primária tradicional, um médico provavelmente só prescreveria medicamentos ou mudanças de estilo de vida quando a pessoa já fosse considerada pré-diabética. Na abordagem da longevidade, o profissional pode recomendar intervenções semelhantes se a glicose estiver em tendência de alta, mesmo sem atingir o limiar de pré-diabetes.
Isso significa que um resultado “normal”, geralmente visto como sinal de saúde, pode não ser considerado suficiente numa clínica de longevidade. Andrea Maier, co-diretora da Academy for Healthy Longevity at the National University of Singapore da National University of Singapore, comenta que trata exames normais como algo que pode ser melhorado com o paciente.
“Queremos que pessoas normais se tornem ideais”, resume Andrea. Para quem tem resultados limítrofes, “em 10 anos é muito provável que você esteja fora do normal, então por que esperar?”
Além disso, recomendações de estilo de vida — como dieta equilibrada, exercícios e dormir de sete a oito horas — podem ser mais personalizadas. Um profissional pode sugerir alimentos específicos com base em monitor contínuo de glicose, em vez de apenas recomendar reduzir açúcar e aumentar fibras. Ainda assim, especialistas afirmam que há pouca pesquisa mostrando que essa personalização leve a resultados melhores do que seguir diretrizes padrão.
O atendimento pode custar caro — e raramente é coberto por seguros. Algumas clínicas funcionam por pagamento por serviço; outras cobram assinaturas anuais que podem chegar a cinco ou seis dígitos.
Críticos dizem que, no fim, as pessoas pagam não por conhecimento secreto ou tratamentos muito melhores, mas por mais tempo e atenção.
Na atenção primária, “eles precisam atender você em 10 a 15 minutos e já encaminhar para o próximo”, diz Jessica Knurick, nutricionista cética em relação à área. Se você paga US$ 100 mil por ano, “mesmo que façam exatamente a mesma coisa, a experiência será completamente diferente.”
James Kirkland, diretor do Center for Advanced Gerotherapeutics at Cedars-Sinai no Cedars-Sinai, concorda que ainda não há “muito” em termos de resultados que não possam ser obtidos com boa atenção primária.
Ele conta estar animado com o potencial da geromedicina nos próximos cinco a dez anos, mas afirma que “há muita coisa sendo feita hoje que é arriscada e baseada em pouca evidência”.
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Tratamentos não comprovados com um “verniz de rigor”
A falta de padronização abre espaço para promessas falsas e pseudociência. Clínicas oferecem tratamentos não comprovados e potencialmente perigosos, como peptídeos, terapia com células-tronco e troca de plasma.
“Já tivemos pessoas que morreram por causa de células-tronco e outras que tiveram reações tóxicas graves por infusões de diferentes peptídeos”, destaca Evelyne Bischof, diretora médica do Sheba Longevity Center. “Há riscos e danos.”
Há também desvios mais sutis da ciência. Vários especialistas criticaram testes como os de idade biológica, dizendo que não são precisos o suficiente para uso individual. “Eles são úteis em nível populacional”, diz Kirkland. “Mas há enorme variação entre indivíduos e de um dia para o outro.”
Outros tratamentos — como suplementos ou medicamentos usados fora da indicação — estão sendo estudados e têm alguma evidência (principalmente em animais). Mesmo assim, especialistas pedem cautela.
“A medicina da longevidade pode ser um pouco de charlatanismo reembalado”, define Shlain. “Os biomarcadores dão um verniz de rigor, os suplementos geram receita, e o paciente não ganha nem longevidade nem conversas honestas.”
Apesar das preocupações, há otimismo sobre o futuro. Existem esforços globais iniciais para legitimar a área com licenças governamentais e ensaios clínicos em andamento que podem levar a medicamentos capazes de agir nas causas do envelhecimento.
“De certa forma, a geromedicina hoje é um campo sem medicamentos específicos — mas eles virão”, acredita Eric Verdin, presidente e CEO do Buck Institute for Research on Aging. “Mas talvez estejamos um pouco adiantados demais em relação à nossa visão.”
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