Emojis ocultam códigos de crimes e expõem crianças

Segurança digital

Promotora da Comarca de FW explica que figurinhas podem ser usadas para exploração, violência e aliciamento digital

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) lançou, no dia 1º, a plataforma Decodificando os Sin@!s, ferramenta digital criada para identificar significados ocultos em emojis, palavras e símbolos utilizados na internet. A iniciativa é do Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (NUPVE) e integra ações voltadas à prevenção de crimes no ambiente digital.

A promotora de Justiça da Comarca de Frederico Westphalen, Michele Dumke Kufner, explica que a proposta é ampliar a compreensão sobre formas de comunicação utilizadas para ocultar práticas ilícitas. “Os usuários utilizam formas alternativas de comunicação para burlar algoritmos que monitoram conteúdos sensíveis. Emojis e símbolos passam a ter significados específicos em determinados contextos”, ressalta a promotora. A data de lançamento faz referência ao Dia da Mentira. O objetivo é chamar atenção para conteúdo que aparentam ser inofensivos, mas podem esconder riscos reais.

Códigos invisíveis no cotidiano digital

A plataforma permite que qualquer pessoa pesquise emojis, palavras ou símbolos e tenha acesso a interpretações baseadas em contextos identificados durante pesquisas conduzidas pelo Ministério Público. Segundo Michele, esses códigos são utilizados para identificação entre usuários, busca por conteúdos ilegais e sinalização de perfis. “Perfis utilizam emojis como marcadores. Isso ocorre em redes abertas, acessíveis a qualquer pessoa, inclusive, crianças e adolescentes”, afirma.

Mapeamento revela rede de significados ocultos

A base inicial do site reúne cerca de 450 registros entre emojis e combinações de símbolos. O material foi catalogado ao longo de quatro meses de pesquisa por integrantes do NUPVE. Os dados indicam que um mesmo símbolo pode assumir significados diferentes conforme o contexto. Em alguns casos, combinações de emojis formam códigos utilizados para comunicação em redes ilícitas.

Redes abertas como porta de entrada

De acordo com o MP, redes sociais amplamente utilizadas funcionam como ponto inicial de contato entre usuários envolvidos nessas práticas. Após a identificação, a comunicação tende a migrar para outras plataformas com menor nível de moderação. “As redes abertas são utilizadas para aproximação. Depois, há deslocamento para ambientes onde a fiscalização é mais limitada”, detalha a promotora. Esse fluxo dificulta a identificação de crimes e amplia o risco de exposição de usuários vulneráveis.

Investigação na região

Um caso investigado na região evidenciou o uso de redes sociais para o compartilhamento de material de pornografia infantil entre usuários. Michele revela que três pessoas foram denunciadas por armazenar e trocar arquivos ilícitos, utilizando plataformas digitais para estabelecer contato e manter a comunicação. A investigação identificou grande volume de conteúdo e apontou o uso de códigos e sinais para facilitar a interação entre os envolvidos.

De acordo com a promotora, em virtude de sigilo na situação, não foram divulgadas informações sobre o município onde ocorreu a investigação. O caso contou com atuação de órgãos de segurança pública e resultou na responsabilização dos investigados.

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