No arquipélago de Cabo Verde, a crescente acumulação de resíduos plásticos transportados pelas correntes do Atlântico está a colocar sob pressão significativa os ecossistemas marinhos, com impactos directos sobre espécies vulneráveis, como as tartarugas.
De acordo com a Lusa, na ilha desabitada de Santa Luzia, particularmente na praia dos Achados, a poluição tornou-se estrutural. A configuração geográfica da baía, aliada à influência dos ventos alísios e das correntes provenientes do nordeste, transforma esta zona num ponto de convergência de detritos marinhos, maioritariamente oriundos de outras regiões do Atlântico.
Entre os resíduos acumulados destacam-se redes de pesca industrial, recipientes utilizados na captura de polvo e diversos materiais plásticos, muitos dos quais provenientes da actividade pesqueira ao largo da costa da África Ocidental. Estes detritos, além de se acumularem em grandes quantidades, criam armadilhas letais para a fauna marinha.
De acordo com responsáveis da organização não-governamental Biosfera, a quantidade de lixo recolhida anualmente mantém-se estável, situando-se entre 50 e 70 toneladas, o que indica que o problema persiste sem sinais de abrandamento. Ao longo dos anos, campanhas de limpeza têm mobilizado dezenas de voluntários, mas a reposição constante de resíduos limita o impacto dessas acções.
A situação é particularmente crítica para as tartarugas marinhas, que utilizam esta praia como local de nidificação. Estima-se que uma parte significativa da população recorra à zona para desovar, enfrentando, contudo, riscos acrescidos devido à presença de plásticos, redes e fios de pesca, que provocam ferimentos, aprisionamento e aumento da mortalidade.
Para além das tartarugas, aves marinhas, peixes e outras espécies são igualmente afectadas, quer pela ingestão de plástico, quer pelo fenómeno conhecido como “pesca fantasma”, causado por redes abandonadas que continuam a capturar organismos no oceano.
Apesar dos esforços locais, persistem desafios logísticos na remoção dos resíduos acumulados, estimados em centenas de toneladas, devido ao difícil acesso à área e às restrições ambientais. Iniciativas em curso procuram identificar soluções sustentáveis para a gestão do lixo, incluindo projectos com apoio internacional.
O caso de Cabo Verde reflecte uma problemática mais ampla à escala global, evidenciando o impacto transfronteiriço da poluição marinha e a necessidade de respostas coordenadas para mitigar os efeitos sobre os ecossistemas oceânicos.
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