Atacante de Cabo Verde que joga no Operário denuncia racismo durante jogo da Série B

Berto é de Cabo Verde e vem sendo um dos destaques do Fantasma em 2026 (Foto: André Jonsson/OFEC)

O atacante luso-caboverdiano Hildeberto Pereira, mais conhecido como Berto e que joga no Operário-PR, denunciou ter sido vítima de racismo durante um jogo da Série B do Campeonato Brasileiro. O caso ocorreu no último sábado (18 de abril), quando o Fantasma perdeu por 2 a 1 para o Vila Nova-GO no estádio OBA, em Goiânia.

As agressões contra o atleta teriam sido proferidas por um torcedor do Vila Nova, depois do final da partida. O jogador cabo-verdiano diz ter sido chamado de “macaquinho”.

“[Depois do fim da partida] Houve xingamentos da parte da torcida [do Vila Nova], da nossa parte também, como é normal no futebol. Aí eu escutei um torcedor do Vila Nova dizer ‘macaquinho’. Não tinha visto o gesto, mas quando cheguei no vestiário vi o gesto e foi logo no momento seguinte. Deu para saber que foi um ato racial. É triste, são coisas que vamos viver no futebol e fora dele”, disse Berto, à BandNews

O caso foi relatado na súmula pelo árbitro da partida. Jodis Nascimento de Souza afirmou que foi informado pelo delegado da partida sobre o acontecido. Segundo o relato, Berto foi à delegacia para abrir um Boletim de Ocorrência.

“Fomos informados no vestiário pelo delegado, o sr. Leandro Lagares Pires de Souza, que após o término do jogo, já com a equipe de arbitragem no vestiário, o comandante da força policial do BEPE, foi até o vestiário informar que o atleta de número 14, o sr. Hildeberto José Morgado Pereira, alega ter sofrido injúria racial de um torcedor da equipe do Vila Nova FC. O atleta saiu do estádio acompanhado pelo policiamento em direção à delegacia para prestar queixa contra o torcedor”, relata a súmula da partida

Hugo Jorge Bravo, presidente do Vila Nova, se manifestou sobre o ocorrido. Na zona mista, o mandatário do time goiano apareceu ao lado de Berto e afirmou que fará o possível para identificar o autor do ato racista.

“Nós vamos identificar essa pessoa. Estou extremamente magoado. O Operário-PR é um dos clubes que tem maior credibilidade no país. Estou extremamente envergonhado com o que aconteceu. São pessoas honradas, não vamos admitir esse tipo de coisa na nossa casa. Nosso povo não é um povo racista, não vamos admitir isso”, declarou o presidente do Vila Nova.

CONFUSÃO APÓS O FIM DO JOGO

O final da partida ficou marcado por uma confusão entre torcedores do Vila Nova e jogadores do Operário-PR. Além de acusação de racismo de Berto, o presidente do time paranaense, Álvaro Góes, foi atingido no rosto por uma garrafa arremessada pela torcida.

“Após o término da partida, quando a equipe do Vila Nova FC e a equipe de arbitragem já tinham se dirigido aos seus respectivos vestiários, houve uma confusão entre torcedores do Vila Nova, que se localizavam atras do banco de reservas do Operário e os jogadores visitantes de número 14 e 18. O atleta número 18 [Jhan Pool] arremessou uma garrafa contra um torcedor, que arremessou a garrafa de volta ao campo de jogo, atingindo um senhor, posteriormente identificado como presidente do Operário. O atleta número 14 [Berto] arremessou um objeto na direção arquibancada, mas não foi possível identificar se atingiu alguém”, escreveu o árbitro, em súmula.

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