São Paulo – Em um cenário raramente visto nas grandes corporações com subsidiárias espalhadas pelo mundo, em 2024, a divisão regional da Stellantis na América do Sul apresentou os melhores resultados relativos da companhia, mesmo representando apenas 10% do faturamento global de € 156,9 bilhões no ano passado.
Enquanto quatro das cinco divisões regionais da Stellantis registraram quedas de vendas, receitas e lucros, a subsidiária sul-americana conseguiu elevar as entregas aos clientes em quase 4%, de 879 mil para 912 mil veículos vendidos na região em que a companhia liderou o mercado com participação de 22,9%, a maior da companhia no mundo.
Apesar da pequena queda marginal de 1,2% no faturamento regional, que atingiu € 15,9 bilhões, e da pequena retração de 4% no lucro operacional ajustado de € 2,3 bilhões – muito parecido com o que foi apurado na Europa e América do Norte –, o desempenho da divisão foi considerado “consistente” pela companhia, pois a margem de lucro de 14,3% permaneceu praticamente intocada em relação a 2023, foi a segunda maior do grupo no mundo, só perdendo para os 18,8% da África e Oriente Médio, mas muito acima dos 4% registrados nos mercados europeus e norte-americanos.
Os aumentos dos preços médios dos veículos vendidos na região e a elevação do volume de vendas garantiram o bom desempenho, que foi prejudicado na conversão para euros devido às desvalorizações do real brasileiro e do peso argentino, fator que explica as pequenas quedas de receitas e lucro operacional expressados na moeda da União Europeia.
Segundo John Elkann, chairman da Stellantis, o desempenho positivo na América do Sul está diretamente relacionado com a grande capacidade produtiva instalada na região, com três fábricas no Brasil e duas na Argentina que produzem veículos de cinco marcas – Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e Ram. Esta vantagem está aliada ao desenvolvimento próprio de produtos adequados à demanda – leia-se renda mais baixa. Como exemplo prático ele citou “a inovadora plataforma Bio-Hybrid no Brasil”, que teve os seus dois primeiros produtos lançados já no fim de 2024, os Fiat Pulse e Fastback híbridos leves com circuito de 12 V e motor flex etanol-gasolina.
A composição do lucro operacional ajustado na América do Sul, em 2024, foi de ganhos de € 507 milhões que foram encobertos por perdas de € 604 milhões em relação ao resultado de € 2 bilhões 369 milhões apurado em 2023. Os ganhos foram compostos por € 368 milhões vindos do aumento médio de preços, mais € 9 milhões com elevação do volume de vendas, € 56 milhões em economias com processos industriais e € 74 milhões em reduções de recursos para pesquisa e desenvolvimento. Já os gastos foram € 75 milhões maiores com despesas administrativas e perdas de € 529 milhões relacionadas à desvalorização cambial que reduziu valores na conversão para euros.
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