Paraguai: Carmen Villalba, presa política, segue firme no cárcere contra o velho Estado

No Dia Internacional do Preso Político, celebrado em 17 de abril, a comunista Carmen Villalba, histórica dirigente do Exército do Povo Paraguaio (EPP), permanece em cárcere ilegal. Mesmo tendo cumprido a totalidade de sua pena, Villalba é mantida em cárcere sob condições desumanas, e sua firmeza tem sido o combustível para uma ampla mobilização internacional.

Recentemente, a Campanha Internacional de Solidariedade à Família Villalba entregou uma carta contundente à Organização das Nações Unidas (ONU) denunciando a situação de Carmen e de outras presas políticas, como Francisca Andino e Laura Villalba. O documento detalha que, em outubro de 2024, as prisioneiras foram transferidas para a prisão de segurança máxima de Minga Guazú em operações realizadas de madrugada, encapuzadas e algemadas, sem qualquer notificação prévia.

A denúncia afirma que, desde agosto de 2025, Carmen está mantida no pavilhão 8 do penal de Emboscada, um setor cercado por alas masculinas, onde a custódia é exercida majoritariamente por homens. O isolamento extremo e a escassez de alimentos debilitaram severamente sua saúde. Segundo o seu advogado, Salvador Sánchez, no início de março Villalba sofria dores tão intensas na coluna que precisava se arrastar dentro da cela por não conseguir ficar de pé.

O Exército do Povo Paraguaio e a persistência da luta armada

Em paralelo à prisão ilegal de Carmen Villalba, um novo confronto armado voltou a colocar o EPP no centro do noticiário no norte do Paraguai. O episódio foi registrado no departamento de Canindeyú, região de duras batalhas da luta pela terra, em uma propriedade rural próxima à Reserva Natural de Morombí. Relatos oficiais indicam falhas operacionais das forças de repressão mobilizadas na área, evidenciando seu despreparo na tentativa de cercar os guerrilheiros.

MFP: ‘Paraguai: Entrevista com a comunista presa política Carmen Villalba’ – A Nova Democracia

Republicamos entrevista com Carmen Villalba, dirigente do Exército do Povo Paraguaio (EPP), publicada em 27/11 pelo Movimento Feminino Popular (MFP) em seu

De acordo a Polícia Nacional e a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), agentes da “Operação Nova Aliança” entraram em confronto após denúncias de que integrantes do EPP estariam na área, embora os informes policiais mencionem “grupos armados desconhecidos”. O episódio, marcado por uma troca de tiros confusa onde policiais e agentes antidrogas chegaram a disparar uns contra os outros por erro de identificação, resultou em um segurança particular ferido.

Em fevereiro de 2026, sob as ordens do presidente reacionário Santiago Peña, o Senado paraguaio aprovou, por 28 votos favoráveis, um acordo de “cooperação” com o país Estados Unidos (EUA), escancarando as fronteiras para o imperialismo ianque. O tratado concede imunidade diplomática a soldados ianques, permitindo que circulem armados e uniformizados, e retira a jurisdição criminal do Paraguai sobre quaisquer crimes que eles venham a cometer contra o povo paraguaio.

O Acordo sobre o Estatuto das Forças (Sofa, na sigla em inglês) amplia a possibilidade de uso, por tropas do EUA, de instalações de armazenamento, treinamento e sistemas de telecomunicações no Paraguai. O texto tem sido apresentado oficialmente no contexto da cooperação em segurança e do “combate ao narcotráfico”, mas é duramente criticado por setores democráticos, progressistas e anti-imperialistas, que veem na medida um reforço da presença militar ianque no país e um aumento do monitoramento sobre a região da Tríplice Fronteira, e consolidando o país como base estratégica de operações.

No campo paraguaio, o avanço da militarização também se expressa no aumento das operações da Fuerza de Tarea Conjunta (FTC) e na criação de centros “antiterrorismo” com treinamento do FBI. Para organizações camponesas e movimentos populares, essas iniciativas reforçam a repressão no interior do país e contribuem para a manutenção da estrutura do latifúndio agroexportador, situando-se no marco da chamada Guerra de Baixa Intensidade (GBI) na América Latina.

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