Em comunicado, o exército brasileiro “garantiu, através do seu sistema de reconhecimento e de alerta, uma vigilância constante” na área, “para garantir a inviolabilidade das nossas fronteiras“.
Anunciou assim “um reforço em tropas e em equipamento” nas cidades de Pacaraima e Boa Vista, no estado brasileiro de Roraima, a norte, que faz fronteira tanto com a Guiana como com a Venezuela. Está ainda previsto o envio de veículos blindados a partir do centro e do sul.
Uma brigada de infantaria com cerca de dois mil soldados, estacionada na região, “intensificou a sua ação de presença” com a missão de “vigilância e proteção do território nacional”, acrescentou o exército.
Ato contínuo, o presidente da Venezuela atribuiu licenças de exploração de petróleo na área disputada, declarações consideradas “uma ameaça direta” pelo seu homólogo da Guiana, Irfaan Ali, que contudo tem tentado sossegar os seus cidadãos.
Prudência de Itimaraty
O Ministério brasileiro da Defesa já tinha anunciado na semana passada que os meios militares na sua fronteira norte seriam reforçados, antecipando a manobra venezuelana e o aumento da tensão, até porque os blindados deverão levar cerca de duas semanas a chegar a Roraima.
“O Ministério da Defesa tem acompanhado a situação. As ações de defesa têm sido intensificadas na região da fronteira ao Norte do país, promovendo maior presença militar”, disse o ministério, numa nota enviada a 28 de novembro à BBC News Brasil.
“Atualmente, do lado brasileiro, a atividade na fronteira é normal”, sublinhou o comunicado oficial desta quarta-feira.
Em círculos diplomáticos, a eventualidade de um avanço militar venezuelano sobre o território em disputa é tida como remota. Sublinham apesar disso a necessidade de cautela, pela possibilidade de Maduro poder usar o tema como plataforma da sua campanha à reeleição nas eleições presidenciais do país previstas para 2024.
Hipótese admitida como muito provável pelo professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Lucas Carlos Lima.
Esforços infrutíferos
O Brasil tenta há meses fazer a ponte entre os seus vizinhos do norte. Cerca de 300 mil pessoas habitam Essequibo e o Brasil seria o seu refúgio natural em caso de conflito, abrindo uma nova crise humanitária e económica na região.
O presidente Lula da Silva já falou ao telefone com Irfaan Ali e enviou o seu assessor especial para questões internacionais a Caracas onde ele se reuniu com Nicolás Maduro. Em ambas as ocasiões o Brasil frisou a necessidade de resolver a questão de forma pacífica.
Apesar de garantias tranquilizadoras deixadas por Caracas, os Ministérios das Relações Exteriores e da Defesa iniciaram análises conjuntas do problema, das quais resultou o reforço dos meios militares a norte, uma vez que Essequibo faz fronteira direta com o estado de Roraima.
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