EUA Aprovam A Primeira Vacina Da Gripe Com Tecnologia MRNA

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A Moderna acaba de garantir luz verde da Food and Drug Administration (FDA) para a mFlusiva, a primeira vacina contra a gripe sazonal a usar tecnologia mRNA nos Estados Unidos da América (EUA).

Esta quarta-feira, a FDA aprovou a mFlusiva, da farmacêutica norte-americana Moderna, tornando-a na primeira vacina da gripe baseada em a chegar ao mercado dos EUA.

A aprovação abrange dois grupos etários:

O caminho até aqui não foi, no entanto, linear. No início do ano, a FDA recusou-se a rever o pedido de aprovação da Moderna, alegando falta de dados suficientes, uma decisão que acabou por ser revertida cerca de uma semana depois.

Em junho, o comité consultivo independente da agência recomendou por unanimidade a aprovação da vacina.

A tecnologia mRNA tornou-se amplamente conhecida do grande público durante a pandemia de COVID-19, altura em que foi usada numa das vacinas mais faladas a nível mundial, a da Moderna, ao lado da vacina equivalente da .

O mRNA (ácido ribonucleico mensageiro) é uma molécula que funciona como “mensageiro” dentro das nossas células, transportando instruções genéticas até à maquinaria celular responsável por produzir proteínas.

Nas vacinas, em vez de se injetar um vírus enfraquecido ou inativado, como acontece nas vacinas tradicionais, injeta-se uma pequena sequência de mRNA com as instruções para as próprias células humanas produzirem, de forma temporária, uma proteína característica do vírus-alvo.

O sistema imunitário reconhece essa proteína como estranha e desenvolve anticorpos contra ela, ficando preparado para reagir rapidamente caso o vírus real apareça. É esta mesma tecnologia que está na base das principais vacinas contra a Covid-19.

A rapidez de desenvolvimento, essencial numa emergência sanitária global, colocou o mRNA no mapa fora dos laboratórios de investigação.

Agora, a mesma base tecnológica permite produzir vacinas de forma muito mais rápida do que os métodos tradicionais, também no caso da gripe.

Segundo a Moderna, o processo desde a escolha da estirpe até à distribuição da vacina da gripe demora entre dois a três meses, contra cerca de seis meses no fabrico convencional.

Esta rapidez é particularmente relevante porque as estirpes da gripe em circulação são escolhidas com meses de antecedência, o que nem sempre garante a melhor correspondência com os vírus que acabam por circular numa determinada época. Teoricamente, uma vacina mais rápida de produzir permite ajustar melhor essa escolha.

Nos , que envolveram mais de 40 mil adultos em 11 países, a mFlusiva demonstrou uma eficácia cerca de 27% superior à das vacinas convencionais contra a gripe.

Para efeitos de comparação, as vacinas tradicionais têm uma eficácia que varia entre os , consoante a época e a correspondência com as estirpes em circulação, pelo que este ganho percentual representa um avanço relevante.

Os efeitos secundários mais comuns, como dor no local da injeção, fadiga e dores de cabeça, foram ligeiramente mais frequentes do que com as vacinas tradicionais, mas classificados como ligeiros a moderados.

A Moderna já garantiu que a mFlusiva estará disponível já na época de gripe deste outono, nos EUA.

No entanto, existe um entrave que pode limitar o seu alcance. Normalmente, as vacinas só são distribuídas depois de recomendadas pelo comité consultivo de vacinação dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (em inglês, CDC), o ACIP.

Contudo, esse comité está atualmente impedido de se reunir devido a uma decisão judicial.

Na prática, isto significa que, apesar de a vacina poder ser legalmente prescrita, sem recomendação formal do ACIP, dificilmente terá cobertura por parte das seguradoras privadas, que normalmente só cobrem vacinas recomendadas por este comité.

Programas federais como o Medicaid também dependem dessas orientações, o que pode limitar significativamente o acesso à vacina nos próximos meses.

De qualquer forma, a aprovação da mFlusiva marca um momento simbólico para a tecnologia mRNA, que prova ter aplicações além das vacinas contra a COVID-19.

 

Fonte: Pplware

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