Artilharia, despedida e campanha: o que está em jogo para França e Inglaterra na disputa de terceiro lugar da Copa do Mundo

A disputa de terceiro lugar da Copa do Mundo chega sempre associada a um clima de constrangimento. Um dia antes da final, as seleções que caíram no momento derradeiro rumo à decisão disputam uma partida com uma valia esportiva bem menor — diferentemente do esporte olímpico, não há um pódio formal com a terceira colocação, ainda que haja entrega de medalhas. Hoje, no entanto, França e Inglaterra, que se enfrentam em Miami, às 18h, podem fazer um duelo bem mais interessante do que a média, valendo marcas pessoais e coletivas.

Apesar de não conseguir ajudar a França a reverter uma atuação em que foi completamente dominada pela Espanha e viu o favoritismo escorrer pelos dedos, Kylian Mbappé tem na disputa pelo terceiro lugar uma chance de se posicionar bem duplamente na busca por duas artilharias, a desta edição e da história das Copas. Um feito que exigiria, também, “secar” Lionel Messi, que comanda a Argentina amanhã, na grande decisão diante da Fúria.

Hoje, Mbappé e Messi estão empatados na artilharia da edição, com oito gols cada um. Na atual conjuntura, a Chuteira de Ouro ficaria com o argentino, que lidera nas assistências, critério de desempate. Já na artilharia histórica, Messi tem 21 gols, e Mbappé, 20.

A favor do camisa 10 francês conta a alta média de gols que a disputa de terceiro lugar mantém historicamente. Só neste século, foram 22 gols anotados em seis confrontos, uma média de 3,6 por partida. Com destaque para dois 3 x 2, entre Turquia e Coreia do Sul, em 2002, e entre Alemanha e Uruguai, em 2010.

Em entrevista coletiva, o técnico dos Bleus, Didier Deschamps, que faz sua despedida do comando da equipe, confirmou que fará alterações na equipe, mas deixou pistas de que Mbappé pode atuar:

— Alguns (titulares) podem jogar e outros, por razões pessoais, querem jogar. Não quero trair nenhuma das conversas que tive com eles. Ainda não tenho tudo pronto, mas vou trocar alguns jogadores.

Didier Deschamps faz sua despedida da seleção da França — Foto: FRANCK FIFE/AFP

Uma vitória sobre os ingleses encerraria o ciclo do treinador com três campanhas de “top 3” em quatro Copas: foi campeão em 2018, vice em 2022 e sétimo colocado em 2014. Na entrevista, o treinador de 54 anos, que perdeu a mãe durante a Copa, afirmou que a seleção francesa foi “a coisa mais bonita” que já aconteceu em sua vida.

Na Inglaterra, o clima de decepção é maior, já que a equipe esteve muito perto da vaga na decisão, mas levou uma virada da Argentina em sete minutos. Muito criticado após a partida, o técnico Thomas Tuchel foi sincero ao comentar a disputa de terceiro lugar:

— Nenhum dos nossos jogadores, ou dos da França, quer jogar esse jogo. Queríamos a final e demos tudo por ela. Temos um dia a menos de recuperação do que a França, mas faremos tudo com profissionalismo.

Thomas Tuchel, treinador da Inglaterra — Foto: Justin Setterfield/Getty Images/AFP
Thomas Tuchel, treinador da Inglaterra — Foto: Justin Setterfield/Getty Images/AFP

Um possível top 3 seria a melhor colocação da Inglaterra em uma Copa do Mundo desde o único título mundial, em 1966. A equipe foi quarta colocada duas vezes: perdeu para a Itália e a Bélgica nas disputas de terceiro lugar de 1990 e 2018, respectivamente.

Em termos pessoais, a partida vale também a briga pela artilharia para Harry Kane e Jude Bellingham, ambos com seis gols marcados. Entre eles e os oito gols de Messi e Mbappé está Erling Haaland, que marcou sete vezes durante a campanha da Noruega.

Crédito: Link de origem

- Advertisement -

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.