Portugal enviará na segunda-feira oito toneladas de medicamentos para a Venezuela, numa operação de solidariedade que visa apoiar a resposta à emergência humanitária desencadeada pelos dois sismos que abalaram o país e provocaram quase 3.900 mortos, anunciou hoje o Governo português
O Ministério da Saúde divulgou um comunicado no qual explica que a iniciativa surge “na sequência dos violentos sismos ocorridos na Venezuela, em 24 de junho de 2026, e como expressão da cooperação e solidariedade entre Portugal e a Venezuela”. A operação de doação de medicamentos foi promovida pelo Governo da República Portuguesa com o objetivo declarado de “apoiar a resposta à emergência humanitária” que se instalou no país sul-americano.
O carregamento será enviado num avião que parte de Lisboa às 10:00 da manhã de segunda-feira, e a operação contará com a presença do secretário de Estado da Gestão da Saúde, Francisco Pinheiro Catalão. A logística envolveu várias entidades, incluindo a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), a Secretaria-Geral do Ministério da Saúde e o Instituto Camões de Portugal, que articularam com as associações representativas da indústria farmacêutica para fazer um apelo às empresas do setor.
O objetivo era que verificassem a possibilidade de doarem medicamentos, e a resposta acabou por superar as expetativas iniciais. Foi possível reunir cerca de oito toneladas de produtos farmacêuticos, doados pelas empresas Grupo Tecnimede, BIAL, FAES Farma, Menarini e Bluepharma. O Governo português adiantou que os medicamentos serão doados ao “Ministerio del Poder Popular para la Salud” da Venezuela, o ministério da Saúde venezuelano.
Os abalos que atingiram a Venezuela no dia 24 de junho têm um balanço oficial que aponta para 3.899 mortos e 16.740 feridos, números que ainda assim podem ser provisórios dada a dimensão da catástrofe. Entre as vítimas mortais contam-se pelo menos 107 portugueses e lusodescendentes, uma comunidade que sempre teve uma presença significativa naquele país, e há ainda 57 desaparecidos ou incontactáveis, o que agrava a apreensão entre as famílias que aguardam notícias.
Os sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorreram a cerca de 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo entre eles, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos. A violência dos abalos foi tal que centenas de réplicas se têm feito sentir desde então, dificultando os trabalhos de busca e salvamento e mantendo a população em estado de alerta permanente.
Vários países já mobilizaram meios para auxiliar a Venezuela nesta hora difícil, com Portugal a integrar esse esforço internacional ao lado de outros Estados da União Europeia que também enviaram equipas de busca e salvamento para o terreno. A doação dos medicamentos surge como uma resposta concreta a necessidades prementes que se colocam ao sistema de saúde venezuelano, que já enfrentava constrangimentos antes da tragédia e que agora vê a sua capacidade de resposta ainda mais sobrecarregada.
O secretário de Estado da Gestão da Saúde deverá marcar presença no momento do embarque, sublinhando o empenho português nesta operação que alia a cooperação humanitária à tradição de solidariedade entre os dois povos. A escolha dos medicamentos doados teve em conta as carências identificadas pelas autoridades de saúde venezuelanas, embora o comunicado oficial não especifique quais as categorias terapêuticas incluídas no lote.
Para as empresas farmacêuticas que participaram na doação, este gesto representa também uma forma de contribuir com o seu conhecimento e recursos para uma causa que transcende as fronteiras nacionais. A articulação entre o setor público e privado permitiu agilizar o processo e concentrar esforços num curto espaço de tempo, desde o apelo inicial até à confirmação da quantidade final de medicamentos a enviar.
A viagem do avião com as oito toneladas está prevista para as 10:00 de segunda-feira, com destino a Caracas, onde os medicamentos serão entregues às autoridades venezuelanas para distribuição pelas zonas mais afetadas. A operação conta com o apoio logístico do Instituto Camões de Portugal, que tem desempenhado um papel ativo na coordenação das iniciativas de cooperação com os países lusófonos e com aqueles onde a diáspora portuguesa tem maior expressão.
NR/HN/Lusa
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