Após os confrontos em Mirebalais, que custaram a vida de várias pessoas, incluindo duas religiosas, a Conferência Episcopal local não hesitou em condenar veementemente o ocorrido, expressando tristeza e indignação com a inércia das autoridades em lidar com a intensificação dos confrontos. O apelo do arcebispo de Porto Príncipe, dom Max Leroys Mésidor: “o nosso país está em chamas. Quem virá nos ajudar?”.
Federico Piana – Vatican News
Profunda tristeza e indignação. Esse é o duro comunicado da Conferência Episcopal do Haiti que condena em termos inequívocos o ataque de gangues armadas em Mirebalais, uma cidade populosa a poucos quilômetros de Porto Príncipe, capital do país caribenho, que na segunda-feira (31/03) custou a vida de várias pessoas, entre elas, duas freiras da congregação das Irmãzinhas de Santa Teresa do Menino Jesus. Os homens da gangue, unidos em um cartel criminoso chamado Vivre Ensemble, atacaram uma delegacia de polícia e a penitenciária local, de onde dezenas de detentos teriam fugido, entrando em um longo e sangrento confronto com a polícia.
Crime hediondo
“Esses eventos trágicos mais uma vez mergulham nossa nação e nossa Igreja no luto”, advertiram os bispos, que julgaram o assassinato das duas freiras, Evanette Onezaire e Jeanne Voltaire, “um crime hediondo que nos lembra da extensão do mal que aflige nossa sociedade. Sua vida de serviço ao Evangelho e aos mais vulneráveis continua sendo um testemunho brilhante do amor de Cristo”.
Autoridades inertes
Mas os bispos vão ainda mais longe: eles denunciam a inércia das autoridades que, apesar de terem diante de seus olhos a escalada de violência que está lançando toda a nação no caos, “ainda não tomaram as medidas necessárias para evitar essa tragédia. A falta de uma resposta eficaz à insegurança contínua é uma falha grave que coloca em risco uma nação deixada à mercê de forças destrutivas”.
A fúria do povo
Tentando acalmar a crescente indignação do povo haitiano, que acusa as autoridades de não estarem fazendo o suficiente para pôr fim aos confrontos, o líder do Conselho Presidencial de Transição, Fritz Alphonse Jean, prometeu novas e drásticas medidas para acabar com o derramamento de sangue, depois de reconhecer publicamente que o país se tornou um inferno para todos. “Entendemos sua miséria. Conhecemos sua dor e seu sofrimento. Povo haitiano: vocês falaram e nós os ouvimos”, disse Jean à margem da manifestação maciça na capital, que mobilizou milhares de pessoas em frente aos escritórios do governo.
Igreja provada
Enquanto isso, em uma breve mensagem enviada à mídia do Vaticano, o arcebispo de Porto Príncipe e presidente da Conferência Episcopal Haitiana, dom Max Leroys Mésidor, divulgou que a situação em sua arquidiocese também piorou drasticamente nos últimos dias: 28 paróquias foram completamente fechadas e o trabalho pastoral de outras 40 continua em ritmo lento porque muitos bairros da cidade estão nas mãos de gangues armadas. “Nossa Quaresma”, escreveu o bispo, “é de fato uma provação, mas nós a oferecemos em comunhão com os sofrimentos de Cristo. O Haiti está em chamas e sangrando: está esperando por apoio urgente. Quem virá nos ajudar?”
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